Dinheiro
02/01/2002 - 08h15

Euro causa fila e recorde de saque bancário

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ALCINO LEITE NETO
da Folha de S.Paulo, em Paris

Começou à 0h de ontem a revolução do euro nas ruas. As populações de 12 países europeus se precipitaram nos caixas eletrônicos para retirar as primeiras notas da nova moeda e iniciar a maior troca de divisas da história, provocando grandes filas.

Na Bélgica, foram feitas 600 retiradas de euro por minuto nas primeiras horas do dia, a contar da meia-noite, quando os caixas eletrônicos começaram a liberar as notas. Ontem, os belgas extraíram um total de 7,6 milhões (cerca de R$ 15,5 milhões).

Em Berlim, 200 mil retiradas foram feitas na primeira meia-hora do euro. Em Portugal, 106 mil foram realizadas no começo da manhã. Até o meio da tarde, os franceses fizeram 1,5 milhão de operações nos caixas eletrônicos, num total de 126,5 milhões (aproximadamente R$ 259 milhões).

O Banco da Espanha anunciou que a introdução da moeda ocorria até o meio-dia com "grande rapidez e êxito". Cerca de 125 milhões foram retirados dos caixas eletrônicos e dos bancos, abertos durante três horas.

A circulação do euro pelas mãos de 304 milhões de habitantes, desde ontem, materializa a maior potência comercial do mundo e o segundo pólo monetário, depois dos Estados Unidos. O euro é ainda a principal prova de superação da longa história de disputas e guerras entre os países europeus desde a criação dos Estados nacionais, a partir do século 15.

Os comerciantes dos 12 países também iniciaram oficialmente a devolução do troco em euros aos clientes. A distribuição do novo dinheiro aos bancos e ao comércio, bem como a preparação dos caixas eletrônicos, foi chamada pelo Banco Central Europeu de "a maior operação logística em tempos de paz".

A operação deu certo em todos os países, apesar dos temores de que o sistema eletrônico dos bancos entrasse em colapso. Na França, 95% dos caixas funcionaram bem ao longo do dia, embora tenham tido problemas no início da madrugada. Na Alemanha, o Dresdner Bank anunciou que 20% a 30% de um total de 1.100 máquinas não funcionaram.

Em Paris, o comércio ainda enfrenta complicações com o troco, devolvendo irregularmente na moeda antiga. A prova de fogo do euro na Europa será hoje, primeiro dia útil da divisa. Na França, sindicatos de bancários mantiveram convocação de greve.

A chegada da nova unidade monetária foi festejada junto com a do ano 2002 nos países da zona euro: Portugal, Espanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Irlanda, Finlândia, Alemanha, Áustria, Itália e Grécia.

O chanceler alemão Gerhard Schroeder deu uma esmola de 2 a um músico de rua e sua última moeda de 5 marcos a um sem-teto. Ele afirmou que se está "testemunhando a aurora de uma época com a qual o povo da Europa sonhou por séculos: viagens sem fronteiras e pagamentos numa moeda comum".

O primeiro-ministro francês Lionel Jospin comprou dois buquês de rosas com euros e disse que estava "orgulhoso de conduzir o governo que qualificou a França" para a nova moeda. Para o presidente Jacques Chirac, o euro representa "uma vitória para a Europa, que afirma a sua identidade e o seu poder".

O euro desembarca nos países num período de estagnação econômica mundial e ainda não conseguiu provar ao mercado a sua competitividade em relação ao dólar. Desde que foi lançado oficialmente, em 1999, perdeu mais de 20% do valor, comparado à moeda americana.

Com agências internacionais.

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