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Dinheiro
31/03/2008 - 09h48

Teles devem recuperar o "brilho" na Bolsa com fusão de Oi e BrT

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TONI SCIARRETTA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Desatado o "nó societário" para a fusão entre a Oi e a Brasil Telecom, o setor de telecomunicações pode recuperar parte do prestígio e da relevância que já teve no mercado acionário brasileiro. Na visão de analistas, o sucesso das ações das teles na Bolsa nos próximos meses vai depender do quanto o negócio hoje for transparente e de como os acionistas minoritários serão tratados.

Nos anos 90, nenhum papel era mais importante na Bolsa do que as ações e depois os recibos da Telebrás, o de maior peso no Ibovespa de setembro de 1991 a maio de 2000. Pouco antes da privatização da empresa, em agosto de 1998, os papéis de telecom respondiam por 51% do Ibovespa. Hoje, as empresas de telefonia fixa não passam de 5% do índice, enquanto as celulares ficam em 2,8%.

O que aconteceu de errado? O crescimento do setor de telecomunicações --incluindo a internet-- foi sobredimensionado. A teles fixas pouco cresceram nos últimos anos e aumentou a competição na telefonia móvel, que hoje atinge 124 milhões de unidades num país de 180 milhões de pessoas. O preço de commodities disparou, aumentando a importância de empresas ligadas à produção de matérias-primas, como a Vale e a Petrobras.

Mas grande parte do ostracismo a que o setor de telecom foi relegado no mercado acionário brasileiro nos últimos oito anos se deve, na avaliação de analistas, à pouca transparência, disputas societárias e desrespeito aos minoritários.

E minoritários, no caso, são bancos e grandes fundos de investimento estrangeiros, responsáveis pelo boom de aberturas de capital e pela enxurrada de recursos que levou o dólar a menos de R$ 2,00.

A Telemar tentou duas vezes recomprar suas ações preferenciais, mas não chegou a um acordo com os preferencialistas e teve frustrado seu projeto de entrar no Novo Mercado da Bovespa, segmento que zela pelas boas práticas de governança corporativa.

O negócio envolvendo Oi e Brasil Telecom, por exemplo, envolve a análise de nove papéis, não necessariamente com a liquidez restrita a dois ou três. Tanto a Oi quanto a Brasil Telecom têm, além das empresas operacionais, uma holding com ações em Bolsa e diferentes sócios, que se organizam em outros blocos de acionistas.

"Se para gente é confuso entender os papéis, imagina para os estrangeiros. O setor perdeu o charme que tinha", disse Alan Cardoso, da Prosper Corretora.

O nó de participações cruzadas dificulta o entendimento da ação como parte de uma empresa. Ou seja, o setor deixou de responder ao que os analistas chamam de fundamentos -vendas, retorno, investimentos e perspectivas de negócio.

A analista Beatriz Batelli, da Brascan, ressalta que as teles brasileiras estão com preços bastante atrás do restante do mundo. "A dificuldade de negociação e a demora no anúncio penalizou o setor. A reestruturação vai trazer os fundamentos de volta", disse.

Para Marcos Duarte, vice-presidente da Amec (associação de acionistas minoritários), é cedo ainda para saber se o desenho da nova estrutura societária respeitará os interesse dos minoritários e do mercado.

"Desde a última operação voluntária [de recompra de ações da Oi], já houve uma mudança. Há demonstrações claras de melhora na governança e na transparência. Mas estamos em alerta. Tem de ver como é que a pizza [composição dos novos donos] vai se encaixar."

 

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