Dinheiro
31/03/2008 - 15h22

Perspectiva da indústria para negócios atinge maior patamar desde 2000

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DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online

A expectativa dos empresários da indústria quanto aos negócios nos próximos seis meses aponta para a manutenção do ritmo forte de atividade. Segundo a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, divulgada nesta segunda-feira pela FGV (Fundação Getulio Vargas), o índice atingiu o melhor patamar desde julho de 2000 --aos 158 pontos contra 160 pontos em 2000.

Segundo Aloísio Campelo Júnior, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), se por um lado a percepção dos empresários quanto aos próximos seis meses indicam a perspectiva de investir em produção para suportar o cenário favorável, por outro lado, reforçam os sinais de aquecimento da indústria e do consumo.

Segundo a pesquisa da FGV, 60% dos entrevistados avaliam situação melhor dos negócios para os próximos seis meses, ante 2% que projetam piora. "Em julho de 2000, 63% aspiravam melhora e 3% piora. Esse quadro desembocou no apagão e racionamento de energia elétrica em 2001", lembrou Campelo.

O professor também demonstrou surpresa quanto à relação entre o desempenho atual da indústria e as perspectivas. "Em geral, quando a situação melhora, a perspectiva é estabilizar. Mas a perspectiva é favorável e, com a previsão de expansão do emprego, sinaliza que as empresas querem investir, por acreditarem que os negócios vão melhorar", explicou Campelo.

O coordenador do Ibre manifestou preocupação nesta segunda-feira com a retomada e a manutenção do ritmo forte de expansão da indústria. A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação apontou que passado um período de acomodação, na virada do ano, a indústria brasileira volta a crescer no ritmo observado na maior parte do segundo semestre de 2007, que aponta para taxa anual de 6% de crescimento da indústria.

Caso os sinais de aceleração da demanda se mantenham, Aloísio Campelo Júnior, coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), já considera a necessidade de um "ajuste fino" pelo governo para conter a expansão do consumo.

Segundo Campelo, caso a disposição do consumidor às compras se mantenha, pode-se chegar a uma taxa não sustentável de crescimento. "Não é o caso de frear a expansão, mas adequar a taxa de crescimento ao PIB potencial, entre 4% e 4,5%", avaliou. Segundo projeções da FGV, a indústria deve crescer 5% neste ano.

 

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