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Dinheiro
31/03/2008 - 18h32

Gerdau e ArcelorMittal negam negociações envolvendo siderúrgica na França

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da France Presse, em Metz (França)

A Gerdau e o grupo indiano ArcelorMittal desmentiram, nesta segunda-feira, que estejam em negociações de compra e venda da siderúrgica Gandrange, propriedade da ArcelorMittal no leste da França, como afirmou anteriormente o governo local.

O grupo indiano enfatizou que sua fábrica de Gandrange não está à venda.

"A questão da venda de Gandrange não está sendo aventada. A Gerdau não apresentou qualquer oferta e a ArcelorMittal não recebeu qualquer oferta de compra", declarou um porta-voz do grupo à agência de notícias France Presse.

"O grupo Gerdau indica que não está interessado na compra da fábrica Gandrange da ArcelorMittal", afirmou o grupo brasileiro em um comunicado.

O ministério francês da Economia confirmou, nesta segunda-feira, que dirigentes do grupo brasileiro foram recebidos recentemente em sua sede parisiense, mas informou que não foi apresentada nenhuma oferta durante o encontro.

"Depois dessa reunião, foi recomendado ao grupo Gerdau, que, até o dia de hoje, não apresentou nenhuma oferta de compra, que entre diretamente em contato com o grupo ArcelorMittal para precisar suas intenções", afirmou o ministério em um comunicado.

O governo local de Amneville (no leste da França) havia anunciado, no domingo, que o grupo Gerdau era candidato à compra da siderúrgica de Gandrange, onde a ArcelorMittal quer suprimir 595 postos de trabalho, e que um projeto nesse sentido foi apresentado na sexta-feira ao ministério da Economia.

Mas outros industriais, entre eles o grupo siderúrgico Corus e o alemão Scholz, também foram recebidos no ministério para tratar do tema da Gandrange, acrescentaram as fontes ligadas à ministra francesa da Economia, Christine Lagarde.

Lagarde declarou na véspera que o objetivo principal do governo é salvaguardar os empregos.

"Se pudermos garantir a atividade por meio de investimentos estrangeiros, e sei que podem haver sócios privados interessantes, nosso trabalho é incentivá-los e servir de catalisador", acrescentou.

Na semana passada o diretor da ArcelorMittal France, Daniel Soury-Lavergne, afirmou que, até o momento, não havia potencial comprador para a Gandrange.

ArcelorMittal deve confirmar seu plano de fechamento parcial da siderúrgica de Gandrange em 4 de abril, anunciou na semana passada Edouard Martin, sindicalista no grupo indiano.

O ministro de Orçamento francês, Eric Woerth, afirmou que o "governo tem dificuldades em compreender os planos de fechamento parcial uma vez que a ArcelorMittal é um grupo que se beneficia muito do negócio".

"Nós enfrentamos uma estratégia industrial e também a vontade do governo de manter em seu território uma indústria com bom desempenho", acrescentou Woerth, recordando que o presidente francês Nicolas Sarkozy, que visitou Gandrange em fevereiro, prometeu, a semanas das eleições municipais, que o "Estado estava disposto a investir no local, com ou sem a Mittal".

No início de março, o Ministério da Economia francês informou, sem fornecer maiores detalhes, que algumas empresas manifestaram "interesse" por uma eventual compra da Gandrange, quando a ArcelorMittal ainda não havia dito que a siderurgia estava à venda.

"Ao apresentar a Gerdau na sede do Ministério da Economia, ressaltamos que, como existia um comprador, eventualmente cabia ao Estado impor uma solução à ArcelorMittal", afirmou Stahl.

Com mais de 30 fábricas no mundo, o grupo Gerdau, cuja sede está em Porto Alegre, obtém no exterior mais de 60% de seu volume de negócios (que alcançou US$ 12,5 bilhões em 2007).

Presidido pelo brasileiro de origem alemã Jorge Gerdau, de 71 anos, o grupo se impôs na América Latina e na América do Norte no segmento de aços longos, a especialidade da Gandrange. Atualmente é a 14ª maior siderúrgica do mundo, com uma produção anual de mais de 16 milhões de toneladas.

 

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