Definição de sócios do Comperj não tem prazo, diz Petrobras
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O diretor de abastecimento e refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse que a estatal não definiu qualquer prazo para a composição acionária do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), cujas obras foram iniciadas nesta segunda-feira. O executivo confirmou que a Petrobras vem negociando com diferentes empresas do setor petroquímico, mas não deu detalhes sobre as conversas. Ele negou que tais negociações estejam demoradas.
"A definição dos sócios não está demorando. O que acontece é que priorizamos, no ano passado, a reorganização do setor petroquímico nacional. E esse procedimento é extremamente complexo", afirmou.
Essa reorganização, que foi impulsionada pela compra da Suzano Petroquímica e do grupo Ipiranga pela Petrobras, será definida com a composição societária da CPS (Companhia Petroquímica do Sudeste), que vai reger os ativos petroquímicos na região, entre os quais o Comperj.
Até o momento, o Comperj conta com a participação do grupo Ultra e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), além da Petrobras. Sobre o interesse da Braskem em participar do projeto, o presidente da Petroquisa --braço da Petrobras na petroquímica-- José Lima de Andrade Neto, comentou que ainda não foi iniciada uma discussão mais aprofundada sobre o tema entre as partes, que são sócias em ativos petroquímicos nos pólos de Triunfo (RS) e Camaçari (BA).
"Seria difícil avançar no Comperj se não houvesse um quadro petroquímico mais claro. O projeto tem várias etapas. As empresas têm interesses diferenciados. É difícil olhar de forma única", observou Andrade Neto.
Os executivos participaram da cerimônia que marcou o início das obras do Comperj. O complexo terá capacidade para refinar até 150 mil barris/dia de petróleo pesado que será extraído da bacia de Campos. Parte dessa produção de derivados será direcionada para a produção de insumos petroquímicos básicos [denominada 1ª geração], cuja unidade ficará sediada na mesma área. Está prevista ainda, no mesmo local, a instalação de fábricas para a transformação desses petroquímicos básicos em produtos mais específicos dessa cadeia, a chamada 2ª geração.
A previsão de investimentos chega a US$ 8,4 bilhões. A Petrobras será majoritária na 1ª geração, e segundo Paulo Roberto Costa, atuará em parte dos projetos de 2ª geração. O diretor acrescentou que não está descartada a participação de sócios estrangeiros no Comperj.
Presente à cerimônia, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) declarou que o Comperj vai possibilitar que o Brasil se torne um exportador de produtos petroquímicos, o que irá gerar economia em torno de US$ 2 bilhões anuais.
Lobão destacou que o projeto não seria tirado do papel, caso a Petrobras tivesse sido privatizada. Ele lembrou que, em tempos passados, houve quem "quisesse entregar a Petrobras".
"Queremos a Petrobras fortalecida atuando em parceria com a iniciativa privada, mas com o Estado no comando. Se a empresa não fosse estatal, não estaríamos iniciando esse empreendimento aqui", destacou.
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