Reajuste de 44% até 2010 desagrada e auditores da Receita mantêm greve
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
A proposta feita pelo governo federal aos auditores fiscal, em greve desde o último dia 18, não agradou a categoria. A Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) reclama que o prazo para o pagamento do reajuste proposto está muito longo.
"O prazo está muito dilatado e há critérios de promoção que ferem a autonomia da auditoria", afirmou Cleber Cabral, diretor-adjunto de Assuntos Jurídicos do sindicato.
O governo afirmou que poderia conceder um reajuste de em média 44% para o teto dos vencimentos. No entanto, seria feito em três etapas anuais, de 2008 a 2010. Além disso, a proposta inclui critérios para a promoção dos auditores, que seriam avaliados pelo chefe imediato, o que desagrada o sindicato.
Durante a greve, cerca de 30% do efetivo dos auditores está trabalhando. Na aduaneira, as prioridades são a liberação de cargas vivas, perecíveis ou de medicamentos, além de produtos inflamáveis.
Os auditores da Receita estão em greve há 14 dias. Eles reivindicam equiparação de salários com os delegados da Polícia Federal, que recebem R$ 18 mil --os auditores ganham, em média, R$ 13.300. O salário de um auditor em início de carreira é de R$ 10 mil, já incluindo R$ 3 mil de um adicional sobre metas de trabalho.
Ciesp
Para Cabral, a liminar dada pela Justiça em São Paulo, que garante a liberação de exportações e importações em 48 horas, é de difícil cumprimento.
"É um prazo que não se consegue nem em tempos normais. O comércio exterior já vinha no limite, com problemas de espaço e prazo curtos para liberação", afirmou Cabral.
Ele afirma que nas cargas mais complexas, como a liberação de máquinas, não é possível analisar o equipamento e a documentação em apenas dois dias.
O sindicalista lembra, no entanto, que a Unafisco não é parte nesse processo, já que a liminar determina que o superintendente da 8ª região fiscal, que inclui o Estado de São Paulo, faça o desembaraço de exportações e importações em 48 horas, e não os auditores.
A Receita Federal afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não se manifesta sobre a greve dos auditores.
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