IBGE descarta reversão de quadro de crescimento da indústria
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O recuo de 0,5% da produção industrial de fevereiro ante janeiro, índice divulgado nesta terça-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não indica um quadro de tendência de reversão da expansão verificada nos últimos meses. Segundo o coordenador da Pesquisa Industrial Mensal, Silvio Sales, existe um quadro de acomodação maior.
O desempenho, conforme Sales, é conseqüência do patamar mais elevado verificado pela produção industrial, evidenciado no crescimento de 9,7% de fevereiro deste ano com o mês correspondente em 2007.
"A indústria vem apresentando um patamar mais elevado desde outubro, o que garante taxas bem elevadas em relação aos índices constatados no mesmo mês do ao anterior. Conquistou-se um patamar e está se operando nele", afirmou Sales.
No primeiro bimestre, a produção industrial registrou expansão de 9,2% frente a igual período no ano passado. É o maior crescimento verificado nesse índice desde 2000, quando houvera incremento de 10,3% na média de janeiro e fevereiro. O indicador do primeiro bimestre do ano passado é superior aos 7,9% observados no último trimestre de 2007.
A expansão acumulada de 6,9% nos últimos 12 meses é a maior desde os 7,2% registrados em maio de 2005. Naquele ano, explica Sales, houve o reflexo da forte expansão observada ao longo de 2004.
Outro dado destacado por Silvio Sales foi a manutenção de forte incremento da produção de bens de capital, que teve crescimento de 25% na comparação com fevereiro de 2007, e de 3,1% em relação a janeiro deste ano. Isso, segundo ele, garante oferta futura e expressa a confiança do investidor. A alta produção de bens de capital indica que a taxa de investimento continua elevada, que deve ser refletida no resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do 1º trimestre.
"O crescimento da produção de bens de capital mostra que há um ciclo de investimentos em curso, aquecido principalmente pela demanda interna", observou Sales.
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