Dinheiro
02/04/2008 - 00h55

Fed autoriza venda do Bearn Stearns ao JPMorgan

da France Presse, em Washington
da Folha Online

O Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) autorizou nesta terça-feira a aquisição do banco de investimentos Bear Stearns por parte do JPMorgan, duas semanas após o anúncio da operação, um prazo excepcionalmente curto justificado pela urgência da situação.

"Com base nos fatos e nas circunstâncias, o conselho de administração avaliou que existia uma situação de urgência que fazia necessário aprovar, sem demoras, a proposta" do JPMorgan, explicou o Fed.

O comunicado suspende, assim, o último obstáculo para que o JPMorgan assuma o controle do Bear Stearns, já que o Departamento de Justiça e os outros reguladores não apresentaram objeções.

A partir de agora, a aquisição deve acontecer em um período que começa em cinco dias úteis e termina em três meses, acrescentou o Fed.

O Fed aceitou a nova oferta de US$ 10 por ação do Bear Sterns oferecida pelo JPMorgan, ao invés dos US$ 2 por ação oferecidos inicialmente.

A proposta original do JPMorgan era de US$ 236 milhões, oferta considerada uma pechincha e que gerou críticas de acionistas do banco de investimentos. Muitos especialistas comentam que somente a sede corporativa do Bear Stearns em Nova York vale aproximadamente US$ 1 bilhão.

Banco Central

O BC dos EUA desempenhou um papel inédito no resgate do Bearn Stearns, banco de investimentos que, em condições normais, não depende de seu controle, evitando os riscos que sua quebra teria implicado para o restante do sistema financeiro americano.

Em particular, o Fed aceitou financiar a operação, concedendo US$ 30 bilhões ao JPMorgan, em troca de títulos proporcionados pelo Bear Stearns.

Como um tentativa de frear a crise no setor imobiliário, o governo americano anunciou nesta segunda-feira um megaplano de reestruturação das regras para o setor financeiro.

A proposta mudará como o governo americano controla centenas de negócios, desde os maiores bancos do país e bancos de investimentos até o sistema de seguros e hipotecas. Entre as medidas, a mais importante aumenta os poderes de supervisão do Fed.

Além de dar mais poder ao Fed, o projeto prevê criar um novo escritório nacional, dentro do Departamento do Tesouro americano, para supervisionar as companhias de seguros; fundir o órgão regulador do mercado de capitais (Securities and Exchange Commission, SEC) com a Comissão de Negociação Futura de Commodities; além de criar uma agência para regular o setor de hipotecas.

 

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