Presidente da BM&F defende capacidade da indústria em atender demanda
ALEXANDRA BORGES
Colaboração para a Folha Online, em Brasília
O presidente da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuro) disse nesta quarta-feira que não acredita em aumento de inflação por pressão da demanda. Manoel Felix da Cintra Neto encontrou-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir a fusão da BM&F com a Bovespa e avaliou que a economia brasileira vai muito bem e que os fundamentos sólidos não trazem ameaças. Cintra descartou um "estrangulamento" da demanda.
Para o presidente da BM&F, a indústria nacional está preparada para responder ao crescimento da economia. Ele afirmou que estão sendo feitos investimentos fortes nos últimos anos, disse também que bancos como BNDES e investidores têm injetado recursos no parque industrial brasileiro.
"Creio que as empresas estão prontas para responder ao crescimento. Não haverá estrangulamento", completou Cintra.
Para ele o aumento das importações pelo Brasil não é um problema e opode absorver o aumento da demanda de produtos do Brasil, Cintra disse que é natural que o país reduza seu ritmo de exportações e que não há problema em perder na balança comercial por algum momento.
"Não tem problema perder na balança comercial por um período e depois ganhar lá na frente. Temos gordura para isso", destacou o presidente da BM&F.
Ele informou ainda que, em 60 dias, contados a partir da assembléia que será realizada nos próximos dias, deverá ser consolidada a fusão entre a BM&F e Bovespa. Cintra disse que o ministro Mantega declarou ver com "bons olhos" o negócio e que isso deve acelerar a elevação do Brasil para o "investment grade".
"Acho que existe um consenso que essa grande Bolsa, esse grande centro de liquidez que estamos criando é importante para o país", afirmou o presidente da BM&F.
Para ele, é uma questão de tempo para o Brasil ser elevado a categoria de "investment grade" pela agência de classificação de risco Fitch Ratings. Ele destacou ainda que o governo deve a partir dos órgãos reguladores como a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e demais órgãos avaliar a legalidade da fusão. Cintra disse ainda que o negócio entre BM&F e Bovespa também contribuirá para credibilidade do Brasil no exterior.
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