Fipe eleva previsão de inflação para 2008, mas espera ação do BC
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) elevou a estimativa de inflação pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor) neste ano de 4% para 4,1%. Segundo o coordenador da pesquisa, Marcio Nakane, a projeção anual já considera uma elevação da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central.
No relatório de inflação que o BC apresentou na semana passada, a autoridade monetária deu sinais de que pretende agir contra a alta da inflação. Segundo o documento, a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano é de 4,6% --0,1 ponto percentual acima da meta de 4,5%.
"A revisão é pontual. Para o ano, espero um cenário de inflação que não considero preocupante. Há pressões de um lado mas não se pode esquecer tem o BC olhando para essas questões e mostrando que está pronto para agir. Estamos contando com um cenário de alta dos juros", disse.
Segundo ele, no entanto, o Banco Central não deverá elevar os juros já na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) deste mês. Nakane diz acreditar que o BC vai observar um pouco mais o cenário inflacionário antes de agir.
No primeiro trimestre, o IPC acumulou alta de 1,03% e nos 12 meses, 4,29%. Para o mês de abril, a Fipe projeta aceleração nos preços em SP para 0,51%, ante 0,31% do mês de março.
Com exceção de Educação, todos os outros seis grupos que compõem o índice deverão acelerar sua variação de preços.
Em Habitação, a inflação neste mês será de 0,56%, contra 0,44% em março; em Alimentação, de 0,6% contra 0,27%, e em Saúde de 0,75% ante 0,34%. "Trabalhamos com estimativa de alta de 1,76% para os remédios em abril, em função da tabela de reajuste aprovada pela Anvisa, e de 2,7% para a energia elétrica com as novas alíquotas de PIS, Pasep e Cofins", informou Nakane.
Segundo ele, há temores ainda quanto ao preço do pão francês, que em março registrou aumento de 4,27% --a segunda maior contribuição para a variação do IPC, atrás de energia elétrica. "Os moinhos declararam que haverá aumento de preço da farinha. Abril não será muito tranqüilo", diz Nakane. Segundo ele, os problemas de abastecimento na Argentina, importante forncedor para o Brasil, podem agravar a situação. Ontem (2), no entanto, a Argentina liberou a exportação do produto para o Brasil.
O reajuste de preços em abril em relação a março também atinge os grupos de Transporte (0,36% contra 0,24%), Despesas Pessoais (0,4% contra 0,3%) e Vestuário (0,45% ante 0,8%).
Em Educação --único grupo que deverá quer redução--, o índice ficará em 0,09% contra 0,12% de março.
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