Dinheiro
04/04/2008 - 14h42

Venda de veículos não tem bolha de crédito, diz Anfavea

KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, afirmou nesta sexta-feira que o setor automotivo vive um momento de crescimento "no ritmo do país" e que não há risco de desequilíbrio ou problemas com o crédito oferecido.

Ele ressaltou que o mercado cresce há seis anos consecutivos. "Não acho que seja uma bolha, nem no setor e nem no país", afirmou.

Para ele, o crescimento sustentável elimina qualquer necessidade de restrição ao crédito. "Nossas condições de crédito são consistentes. Os financiamentos, no Brasil, são feitos com a maior segurança e os prazos longos são residuais, a média é de 42 meses", afirmou.

De acordo com levantamento da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), o saldo do crédito para aquisição de veículos para pessoa física no primeiro bimestre cresceu 44,9% em comparação ao mesmo período de 2007, passando de R$ 80,6 bilhões para os atuais R$ 116,8 bilhões.

Esse valor representa 35,4% do total do crédito destinado às pessoas físicas pelo Sistema Financeiro Nacional e é referente ao total das carteiras de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e Leasing (Arrendamento Mercantil).

Havia boatos no governo sobre medidas que o governo adotaria para restringir o crédito preocupado com a pressão na inflação. O ministro Guido Mantega (Fazenda) negou qualquer medida para limitar prazo de financiamento e afirmou que se tratava de um mal-entendido.

Segundo Mantega, o governo apenas quer saber se os bancos têm concedido financiamento de forma responsável.

André Beer, ex-presidente da Anfavea e consultor do setor, afirmou que a indústria tem condições de atender a demanda e a expansão do crédito não oferece risco. Para ele, "o governo fez as contas e descobriu que, acabar com o prazo longo teria impacto zero, por isso desistiu".

Ele ressaltou que o Brasil tem 7,5 habitantes por veículos. Para alcançar os níveis da Argentina ou México, de cerca de 5,5 moradores por veículo, as vendas teriam de manter esse crescimento por cinco anos.

A Anfavea divulgou nesta sexta-feira que a produção e as vendas de veículos no mercado doméstico bateram recordes para o mês de março e no primeiro trimestre.

Foram produzidos 280,6 mil veículos em março, e 232,1 vendidos no mercado interno.

 

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