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Dinheiro
05/04/2008 - 08h52

Comércio aposta em uso de cartão de loja "compartilhado"

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KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

Os cartões de loja, que já somam 142 milhões e movimentaram R$ 40 bilhões em 2007, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), ganharam uma nova modalidade. A aposta do mercado para atrair os consumidores de renda mais baixa ao mundo dos plásticos é adotar o uso de um cartão compartilhado.

A proposta, chamada de "open private", foi iniciada pela Good Card e permite que o consumidor use o cartão de uma loja em outro comércio, com o mesmo crédito aprovado e possibilidades de parcelamento. O uso, normalmente, é regional.

Gilberto Dib, organizador da Cards, feira sobre o assunto que ocorre em São Paulo de 14 a 16 de abril, afirmou que essa é a "terceira onda" dos "private label", como são chamados os cartões de loja. A primeira foi a possibilidade de financiar as compras, e a segunda foi a iniciativa de adotar uma bandeira.

"O processo tem como princípio fidelizar o cliente. Com o tempo, as financeiras passam a se interessar pelas carteiras. Atualmente, há lojas com cartões que podem ser utilizados em qualquer outro lugar, inclusive fora do Brasil", afirma.

Dib calcula que 60% dos cartões de loja já tiveram suas carteiras de clientes compradas por financeiras e parte já foi "bandeirada".

O chamado "open private" foi a alternativa encontrada pelo comércio de pequeno e médio porte, que não tem os requisitos para uma bandeira internacional (como Visa e Mastercard), para ampliar o uso de seus cartões.

Segundo Dib, a flexibilização atinge principalmente quem tem vários cartões de lojas, mas ainda prefere não usar um cartão de crédito, normalmente porque receia perder o controle de gastos.

Baixa renda

Fernando Chacon, diretor de Marketing e Cartões do Itaú, afirmou que os cartões de lojas são a "porta de entrada dos usuários de renda mais baixa ao mundo dos cartões de crédito". Entre os apelos está ausência da anuidade e o controle dos gastos, já que o crédito aprovado, em geral, é menor ao de um cartão de crédito.

O potencial de crescimento, segundo ele, seguirá a tendência dos últimos anos. Em 2003, os "private label" somavam 71 milhões de unidades e movimentavam R$ 17,6 bilhões por ano, números que saltaram para 142 milhões e R$ 40 bilhões.

A baixa renda (abaixo de R$ 1.499 por mês) detém "[60,7% dos cartões]": em circulação no país, mas o gasto anual é quase 70% menor ao daqueles com renda maior, segundo pesquisa do Itaú.

Restrição

Carlos Ogata, vice-presidente executivo da Good Card, afirmou que o usuário do "open private" da empresa poderá utilizar o cartão em todas as 60 mil lojas que aceitam os chamados cartões benefícios, mais antigos e que estão no mercado há oito anos, nas mãos de 1,3 milhões de usuários.
Ele ressalta, no entanto, que a loja que emitir o cartão da Good Card poderá restringir o uso do plástico como forma de pagamento em seus concorrentes.

A Good Card fechou acordo com a rede Herval, que atua no Sul, com potencial para 400 mil cartões. Outros 200 mil estão em elaboração e, até o final do ano, a administradora deverá ter 1 milhão de cartões.

"A idéia é melhorar principalmente o cartão utilizado pelas classes C e D", afirmou Ogata.

 

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