Dinheiro
08/04/2008 - 10h42

FMI calcula custo da crise financeira em US$ 945 bilhões

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da France Presse e Efe, em Washington
da Folha Online

Atualizada às 11h46

O FMI (Fundo Monetário Internacional) calculou em US$ 945 bilhões o custo da atual crise para o sistema financeiro mundial, dos quais US$ 565 bilhões foram gerados pela exposição dos bancos aos "subprime" (créditos hipotecários de risco).

"A crise ultrapassou os confins do mercado americano de 'subprime' para tocar concretamente os principais mercados imobiliários, o crédito do consumo e o crédito das empresas", explicou o FMI em seu relatório semestral sobre a estabilidade financeira no mundo.

Essa é a primeira vez que a instituição financeira internacional divulga oficialmente uma estimativa em cifras das perdas globais dos bancos e outros estabelecimentos financeiros nesta crise nascida nos Estados Unidos.

No relatório, o FMI não apontou nenhum sinal de "luz no fim do túnel". Pelo contrário, o Fundo afirma acreditar que o ajuste pode continuar em circunstâncias muito mais perigosas.

"Os mercados financeiros permanecem sob uma tensão considerável, aguçada agora pela queda do entorno macroeconômico, pela capitalização deficiente das instituições e por uma desestabilização generalizada", afirma o relatório, que mostra que o crescimento econômico sentiu as turbulências financeiras, os bancos sentem falta de efetivo e o crédito evaporou.

O FMI fez um pedido aos governos para que atuem "imediatamente para abrandar os riscos de um ajuste ainda mais penoso", além de pedir para que exerçam uma supervisão mais intensa das contas dos bancos, e se mantenham preparados para intervir, caso necessário.

O relatório destaca que a crise, que surgiu no mercado "subprime", se estendeu às hipotecas de qualidade, aos créditos para consumo e às empresas, assim como os bancos fora dos EUA.

O organismo teme que ocorra uma retração mundial do crédito, que poderia levar os países industriais, onde os preços dos imóveis estão altos em relação aos parâmetros fundamentais da economia ou onde os balanços das empresas ou famílias suportam mais pressão, a também ficarem expostos a riscos.

O FMI alertou que "a atual turbulência não é uma mera circunstância relacionada com a liquidez, mas sim um reflexo de fragilidades fundamentais nos balanços e de uma capitalização deficiente". Para o Fundo, "isso significa que os efeitos vão ser mais amplos, profundos e prolongados".

O Fundo fala também de uma "falha coletiva" no momento de estimar o nível de endividamento dos bancos. Segundo a instituição financeira, erraram as agências reguladoras, com o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) à frente, pois a supervisão financeira esteve "na retaguarda" dos novos produtos do mercado.

Para o FMI, os bancos e os investidores assumiram riscos excessivos ao não medir adequadamente a qualidade dos valores, e não manter reservas suficientes para se proteger de uma crise de liquidez. "Os grandes bancos adotaram uma atitude mais confiante e menos exigente em matéria de sistemas de gestão de risco. Eles confiaram na intervenção do banco central para resolver seus problemas", afirma o Fundo.

Foi isso o que ocorreu com o banco de investimentos Bear Stearns, para quem o Fed deu, em março, um financiamento de emergência para facilitar sua aquisição por parte da JP Morgan Chase.

O Bear Stearns, quinto maior banco de investimento do país, esteve prestes a quebrar devido a seus investimentos em títulos vinculados a hipotecas americanas, nas quais a inadimplência e a moratória dispararam. Segundo o alerta feito pelo FMI, no entanto, o banco pode não ser a última vítima.

Devido à crise, na semana passada o FMI revisou para baixo sua previsão de crescimento para a economia mundial neste ano, de 4,1% para 3,7%, e para o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) nos EUA a apenas 0,5% neste ano, em vez do 1,5% previsto em seu último relatório.

Pacote

Ainda na esteira da crise, na semana passada o governo dos Estados Unidos anunciou um megaplano de reestruturação das regras para o setor financeiro. A proposta mudará como o governo americano controla centenas de negócios, desde os maiores bancos do país e bancos de investimentos até o sistema de seguros e hipotecas. Entre as medidas, a mais importante aumenta os poderes de supervisão do Fed.

"A estrutura de nossa regulamentação atual não está pensada para enfrentar o sistema financeiro moderno com seus diversos atores, sua inovação, a complexidade de seus instrumentos financeiros, sua integração mundial", afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson.

Segundo ele, o projeto de reforma visa também eliminar as redundâncias do sistema e a preencher suas faltas, com medidas escalonadas no curto, médio e longo prazo.

 

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