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Dinheiro
08/04/2008 - 15h46

Membros do Fed vêem risco de crise "prolongada e severa" nos EUA

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da Folha Online

Preocupações com o risco de recessão nos Estados Unidos levaram os membros do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) a votarem pela redução da taxa básica de juros local em 18 de março, informou a ata da reunião do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês) do Fed divulgada nesta terça.

Entenda a crise que atinge a economia dos EUA

Na reunião, os juros foram cortados em 0,75 ponto percentual, para 2,25% anuais, com oito votos a favor e dois contra. Trata-se da menor taxa desde dezembro de 2004.

Segundo a ata, alguns membros do Fed indicaram a possibilidade de ocorrer uma "prolongada e severa" desaceleração econômica no país. Tal preocupação foi determinante para o corte nos juros, o mais profundo em mais de 25 anos.

Os integrantes do BC americano disseram que previsões sobre o nível de atividade econômica e sobre a inflação em médio prazo tinham se deteriorado nos últimos meses. A tensão nos mercados financeiros tinha crescido significativamente desde a reunião do Fomc de janeiro, com o preço das casas caindo mais do que o esperado e o enfraquecimento do mercado de trabalho reduzindo ainda mais a confiança do consumidor.

A ata diz que os membros do Fed "indicaram uma contração no PIB [Produto Interno Bruto] no primeiro semestre, seguida por uma recuperação lenta no segundo semestre." Uma contração em um semestre corresponde à definição mais aceita para recessão. Já no quarto trimestre do ano passado a economia dos EUA cresceu apenas 0,6%, contra um avanço de 4,9% um trimestre antes.

Na semana passada, o presidente do Fed, Ben Bernanke, já tinha dito que uma recessão nos Estados Unidos era "possível", mas esta é a primeira vez que o BC americano prevê oficialmente esse cenário.

Hoje, o FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou que "a crise ultrapassou os confins do mercado americano de 'subprime' para tocar concretamente os principais mercados imobiliários, o crédito do consumo e o crédito das empresas". No relatório, o FMI não apontou nenhum sinal de "luz no fim do túnel". Pelo contrário, o Fundo afirma acreditar que o ajuste pode continuar em circunstâncias muito mais perigosas.

Entenda

Para evitar a recessão, o presidente americano, George W. Bush, sancionou em fevereiro um pacote de estímulo econômico ao país que dará cheques de restituição de impostos a milhões de norte-americanos. Mais de 130 milhões de pessoas serão beneficiadas.

O pacote prevê uma restituição de US$ 600 para cada contribuinte com renda anual de até US$ 75 mil; e US$ 1.200 para casais com renda até US$ 150 mil, além de US$ 300 adicionais por filho. Quem não paga imposto de renda, mas recebe o teto de US$ 3 mil anuais, terá direito a cheques de US$ 300.

No início deste mês, Bush chegou a pedir aos contribuintes que serão beneficiados com os cheques do pacote que gastem, e não guardem em poupanças, ou invistam e mesmo paguem dívidas.

O anúncio ocorreu no momento em que o mercado global está contaminado pela maior crise de crédito nos EUA em 20 anos, desencadeada por uma outra crise, a dos empréstimos imobiliários "subprime", aqueles feitos a pessoas com histórico de inadimplência.

Depois do calote no setor "subprime", o temor de calotes generalizados fez o dinheiro em circulação retrair no país, desacelerando a maior economia do planeta. Isso fez crescer o medo que o EUA caiam em recessão, já que 70% do PIB americano é movido pelo consumo.

 

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