Corte no Orçamento não terá impactos na política industrial, diz ministro
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) disse nesta terça-feira que o corte de R$ 19,4 bilhões no Orçamento deste ano não terá impacto no pacote de desonerações fiscais que será incluído na nova política industrial, prometida para ainda este mês.
Segundo Jorge, o governo já tinha isso previsto, e os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento vêm trabalhando de forma conjunta para evitar prejuízos à política industrial.
De acordo com o ministro, o Ministério do Desenvolvimento ainda negocia com a Fazenda e a Receita o pacote de desonerações que será incluído na política industrial.
"Ainda estamos negociando com o Ministério da Fazenda e a Receita até onde as desonerações poderão ir, e que tipo faremos. Ainda temos reuniões marcadas com a Fazenda para esta semana, e para a próxima. Por isso, acreditamos que só teremos isso fechado para levar ao presidente daqui a duas semanas", comentou.
O ministro reafirmou que as empresas exportadoras terão "um olhar especial" dentro da nova política industrial. Jorge observou que o novo pacote contemplará três tipos de empresas: os setores que precisam de mais apoio, os que já são 'bastante competentes' e os que são líderes. Acrescentou ainda que o tratamento vai variar de acordo com a colocação das empresas ou de subsetores dentro dos setores.
Miguel Jorge disse que isso não significa, necessariamente, que empresas que não são líderes terão tratamento diferenciado para crescerem.
"Depende, muitas vezes para se manter a liderança, precisa-se de mais apoio do que para a empresa que deseja ser líder. Porque quando eu falo em liderança, é manter liderança mundial. Então, é um trabalho de Hércules", afirmou, durante cerimônia de posse da nova diretoria da Amcham (Câmara Americana de Comércio), no Rio.
A nova política industrial será "horizontal" e pegará praticamente todos os setores da economia, ressaltou o ministro. Ele negou que haverá uma ênfase especial sobre o setor de energia.
Em relação à crise nos Estados Unidos, Miguel Jorge afirmou que o aumento das exportações para outros mercados foi importante para o Brasil. Segundo o ministro, há cinco anos, 25% das vendas externas tinham como destino final o mercado americano. Hoje em dia, ressaltou, essa participação não passa de 15,6%.
"Acredito que a melhor resposta para essa recessão foi essa queda da digamos, não dependência, mas da forte concentração de exportações brasileiras para o mercado americano. Abrimos muitos mercados nesses últimos anos", concluiu.
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