Dinheiro
09/04/2008 - 09h20

Bancos e lojas não informam custo total de financiamento

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TATIANA RESENDE
da Folha de S.Paulo

Levantamento da Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) mostrou que, um mês após entrar em vigor, o CET (Custo Efetivo Total) ainda não é informado em bancos, financeiras e lojas visitados pela entidade, o que dificulta a comparação entre as instituições financeiras.

"Nada justifica [a falta de informação] porque a norma [do Banco Central] foi divulgada no início de dezembro", ressalta Hessia Costilla, economista da Pro Teste, acrescentando que mesmo que a pesquisa fosse feita em mais de uma unidade o resultado seria o mesmo. No CET devem estar inclusos todos os custos de uma linha de crédito, como juros, taxa de abertura de crédito e IOF.

A pesquisa aconteceu na semana passada no Rio de Janeiro com a simulação de um empréstimo de R$ 2.000 a ser pago em 12 prestações. Foram visitadas agências de nove bancos (Santander, Itaú, Unibanco, Bradesco, Real, HSBC, Banco do Brasil, Nossa Caixa e Caixa Econômica Federal), cinco financeiras (Finasa, Losango, Ibi, Taií e Fininvest) e cinco varejistas (Casas Bahia, Ponto Frio, Extra, Carrefour e Wal-Mart). Nesses três últimos, as vendas parceladas só eram feitas no cartão de crédito, logo não havia CET a ser informado.

Entre os bancos, apenas três informaram essa taxa: Bradesco, Santander e Caixa. No entanto, os dois últimos divulgaram o percentual incorreto, abaixo do que seria cobrado ao consumidor, segundo cálculos da Pro Teste. Nas Casas Bahia, aconteceu o inverso: o CET informado estava acima.

No Itaú, a atendente chegou a alegar que só o gerente da agência teria condições de informar o custo preciso, por isso o colaborador do órgão de defesa do consumidor foi à unidade na qual possui conta. Ainda assim, não conseguiu saber porque a gerente disse que o CET só seria divulgado quando o contrato fosse gerado. O procedimento desrespeita a resolução do Banco Central. A taxa deve ser informada antes do contrato do empréstimo para possibilitar a comparação e estimular a concorrência.

Já os atendentes do Real, do HSBC e da Losango informaram quanto seria o valor total pago no final do contrato, mostrando que não sabiam o que era CET. As outras financeiras também não souberam contabilizar a taxa, inclusive a Finasa, que pertence ao Bradesco.

A Pro Teste vai encaminhar o levantamento ao BC. Procurado pela reportagem, o banco afirmou, por meio de nota, que "está fiscalizando o cumprimento da norma e determinando às instituições financeiras a imediata correção das situações consideradas deficientes ou irregulares". Segundo o BC, "o não-cumprimento de normas pode levar a punições como advertência e multas."

Outro lado

Banco do Brasil, Real, Nossa Caixa, Itaú, Unibanco, HSBC, Losango, Taií, Fininvest e Finasa alegaram que os funcionários foram treinados, e o levantamento da Pro Teste detectou uma falha pontual, já que se ateve a apenas uma agência, mas os problemas serão corrigidos.

O Ponto Frio afirmou que "está em fase de adequação para cumprir satisfatoriamente a medida" e, "tão logo as reformas estruturais em seus sistemas sejam implementadas, todas as informações estarão disponíveis."

Ibi e Casas Bahia não responderam, esta última porque a diretora que poderia falar sobre o assunto está fora do país. O Santander disse que não iria comentar.

A Caixa Econômica reiterou que o CET informado estava correto e enviou os cálculos que comprovariam essa afirmação, que foram repassados pela reportagem à economista da Pro Teste, Hessia Costilla. Segundo ela, o percentual foi distorcido com a cobrança de "juros de acerto", mudança na data de início de pagamento e juros diferentes dos que foram informados na agência.

 

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