FMI prevê América Latina protegida da recessão nos EUA este ano
da France Presse, em Washington
O FMI (Fundo Monetário Internacional) previu nesta quarta-feira que a América Latina resistirá este ano à "suave recessão" nos Estados Unidos, graças a um crescimento que chegará a 4,4%, um décimo a mais que suas últimas projeções, embora tenha previsto maiores repercussões da crise para 2009.
"A previsão geral é de que as economias (da América Latina) serão atingidas, embora não esmagadas" pela crise nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas, assegurou o FMI ao divulgar suas últimas projeções, antes de sua reunião de primavera (no hemisfério norte) no próximo fim de semana em Washington.
Segundo projeções do Fundo, Argentina e Peru liderarão o crescimento regional este ano com 7%, à frente de Uruguai (6%), Venezuela (5,8%), Brasil (4,8%), Colômbia (4,6%) e Chile (4,5%).
"Isto seria um resultado muito diferente dos de períodos anteriores de pressões externas", afirmou a instituição. Até agora, "a América Latina tem sido sempre atingida duramente por desacelerações nos Estados Unidos, seu maior sócio comercial", lembrou.
O Fundo saudou a resistência da América Latina ao que apresentou como "o maior choque financeiro desde a Grande Depressão" em 1929 nos Estados Unidos, ao destacar que "por enquanto as economias emergentes e em desenvolvimento são menos afetadas pela turbulência financeira e seguem crescendo com rapidez".
Neste contexto, apesar de prever um crescimento de apenas 0,5% nos Estados Unidos este ano, o FMI somou um décimo a sua projeção de janeiro para a América Latina, para elevá-la a 4,4%, claramente acima do crescimento mundial, cuja previsão foi reduzida para 3,7% devido à "suave recessão" que afeta a maior economia mundial.
A região, que acumulou em 2007 quatro anos consecutivos de crescimento econômico, impulsionado pela demanda interna e pelas exportações de matérias-primas, poderá ser mais afetada pela desaceleração mundial no próximo ano e ver este índice cair para 3,6%, abaixo do crescimento global, que deverá ser de 3,8%.
"Uma economia latino-americana crescentemente aberta não sairá ilesa em caso de uma queda global mais profunda" se as dificuldades financeiras se intensificarem nos Estados Unidos e na Europa devido à crise dos créditos, alertou o FMI.
"Ainda assim, a posição externa da região deverá ser suficientemente robusta para evitar os severos ajustes ocorridos no passado", explicou a instituição financeira, criticada por países como Brasil e Argentina por não ter previsto a crise nos Estados Unidos.
Nos últimos anos, a demanda de China e Índia deu um forte impulso às exportações de matérias-primas latino-americanas. O FMI prevê que ambos os países atingirão este ano um crescimento de 9,3% e 7,9%, respectivamente, quase dois pontos a menos que no ano passado.
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