Dinheiro
09/04/2008 - 15h12

Após IPCA, analistas já esperam, pelo menos, ajuste da Selic para 11,50%

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EPAMINONDAS NETO
da Folha Online

O IPCA de março reforçou as expectativas no setor financeiro de que o Copom (Comitê de Política) deve ajustar, em pelo menos 0,25 ponto percentual, a taxa Selic (11,25% ao ano) na reunião da semana que vem. A opinião não é unânime e há quem acredite ser precipitado a alta dos juros básicos neste momento.

"O aumento do IPCA foi provocada pelos preços de alimentos, principalmente por causa dos derivados do trigo. Essa pressão dos alimentos deve diminuir nos próximos devido à entrada da safra. E não há previsão de outros aumentos de preço para o trigo nos próximos meses", afirma o professor de mercado financeiro da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou hoje que inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) registrou alta de 0,48% em março ante aos 0,49% verificados em fevereiro, informou nesta quarta-feira o. Trata-se da maior taxa para um mês de março desde 2005. O mercado financeiro trabalhava com projeções entre 0,36% e 0,38%.

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 4,73%, acima dos 4,61% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2007, a inflação pelo IPCA subira 0,37%.

O IPCA é utilizado pelo Banco Central para seu regime de metas de inflação, que prevê um resultado de 4,5% para este ano.

A opinião predominante entre economistas do setor financeiro é que o resultado de IPCA deu mais argumentos para que o BC eleve a Selic no próximo dia 16.

"A alta do IPCA de março de 0,48% reforça o argumento do Banco Central, que vem sinalizando a necessidade de aperto monetário como uma medida preventiva para desacelerar o ritmo de crescimento da demanda doméstica, com o objetivo de minimizar os riscos de desvios significativos da inflação em relação ao centro da meta", diz o economista da corretora Concórdia, Elson Teles.

"Os números que saíram hoje não servem para justificar um aumento agora. Não dá para garantir que a inflação de 2008 vai ficar acima da meta", coloca o professor da Trevisan. "Esperar até a próxima reunião não tem qualquer perigo e até evita os efeitos colaterais [de elevar a Selic], principalmente o aumento do diferencial de juros [brasileiros e americanos]". acrescenta ele.

Teles, da Concórdia, espera que o Copom inicie a partir deste mês um ciclo de aperto monetário, com um ajuste total de dois pontos percentuais da taxa Selic neste ano. Ele não vê como improvável um aperto, neste mês, da ordem de 0,50 ponto, mas aposta uma elevação mais moderada, de somente 0,25 ponto.

"Julgamos que ainda é mais provável o Copom iniciar o processo de aperto monetário com uma alta de 0,25 ponto percentual, dado que a situação da inflação, apesar de inspirar cuidados, não é alarmante e, portanto, o Copom não parece estar atrasado no processo de alta na taxa de juros", diz o economista.

 

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