Matérias-primas mais caras e demanda disparam inflação mundial
LAURENT BANGUET
da France Presse, em Paris
Os preços mais altos das matérias-primas, tanto alimentícias quanto energéticas, acentuados pela forte demanda dos países emergentes, tem provocado aumento da inflação no mundo.
Os preços dos cereais explodiram e o petróleo é vendido acima dos US$ 100 o barril --nesta quarta-feira, atingiu recorde aos US$ 112,21 --, afetando fortemente a maioria das economias do planeta e o poder aquisitivo das populações.
A grande responsável por estas altas dos preços é a demanda crescente dos países emergentes, com economias em crescimento que necessitam de matéria-prima para alimentar sua produção. A oferta mundial, limitada por recursos ou capacidade de produção, não consegue suprir essa demanda, o que gera tensões nos mercados internacionais e eleva os preços.
Seguindo os passos das matérias-primas, a inflação também começa a bater recordes no mundo, retirando o poder de compra da população. As tensões sobre os preços são particularmente sensíveis nos países em desenvolvimento, onde as famílias dedicam maior parte dos salários para a compra de comida e de combustível.
"Necessitamos um 'New Deal' para a política alimentar mundial", advertiu recentemente o presidente do Bird (Banco Mundial), Robert Zoellick, pedindo que os países industrializados realizem um grande esforço concentrado ou se preparem para que "mais gente sofre e morra de fome".
Contudo, as economias desenvolvidas, também ameaçadas pela inflação, dispõem de margem de manobra limitada. A estabilidade dos preços é "essencial para os mais pobres e mais vulneráveis de nossos cidadãos", insistiu Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE).
A instituição monetária européia realiza uma restrita política de juros contra a inflação, mas ao mesmo tempo deve enfrentar a desaceleração do crescimento provocada pela crise financeira.
Uma alta dos preços reduziria automaticamente o poder de compra da população e poderia provocar uma baixa do consumo, um dos motores do crescimento, assim como uma redução da economia. Além disso, as crescentes pressões sociais para um aumento dos salários correm o risco de também alimentar a inflação.
Esse é o fantasma da "espiral inflacionária" tão temida pelas autoridades monetárias. Ele poderia se manifestar inicialmente nos países emergentes, que atualmente possuem os maiores índices de crescimento, onde os governos tendem a privilegiar o crescimento em relação à luta contra a inflação.
"Antes de tudo, devemos assegurar o desenvolvimento rápido e estável da economia e ao mesmo tempo controlar a inflação de maneira eficaz", explicou o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, que fixou a meta de inflação em 4,8% para 2008, apesar de o índice ter alcançado em fevereiro 8,7%.
Leia mais
- Após IPCA, analistas já esperam, pelo menos, ajuste da Selic para 11,50%
- IPCA fica em 0,48%, estável sobre fevereiro mas acima do esperado, diz IBGE
- IGP-M aponta inflação de 0,33% na primeira prévia de abril
- Commodities e inflação vão ditar rumos do mercado nesta semana
- Coleção "Biblioteca Valor" explica principais conceitos de economia
Especial

