Consumo de álcool deve superar o da gasolina em março, diz BR
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O consumo de álcool deverá superar o da gasolina assim que os dados sobre o mercado de combustíveis de março forem divulgados, estimou nesta quarta-feira o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra. Ele disse que o consumo dos combustíveis ficou "praticamente empatado" em fevereiro, e que a mudança de posições está próxima.
Dutra reconheceu que o menor consumo de gasolina no mercado interno se tornará 'um desafio' para a Petrobras, que terá que vender mais gasolina para o mercado externo, à medida em que o consumo interno de álcool se destaca cada vez mais sobre a gasolina. Ele negou que haja vinculação do preço da gasolina, no mercado interno, com o álcool.
O presidente da BR Distribuidora admitiu que a mudança na taxação sobre a venda de álcool combustível poderá alterar o quadro do mercado. Dutra evitou falar em aumento de preços, mas afirmou que distribuidoras que sonegam impostos poderão abandonar o mercado. Na opinião do executivo, concentrar a cobrança do PIS/Cofins nos produtores seria o primeiro passo para que o álcool venha a ser negociado em bolsa, pois haveria redução da volatilidade.
Dutra mostrou-se favorável à MP 413, em tramitação no Congresso Nacional, que prevê que a cobrança desses impostos seja feita na saída do produto das usinas. Atualmente, é realizada junto às distribuidoras. O presidente da BR reconheceu que a sonegação desses impostos por algumas distribuidoras acaba reduzindo o preço no mercado final, para o consumidor.
"Há concorrência desleal, já que o agente que sonega tem condições de cobrar mais barato. Vai haver menos variabilidade de preço num período pequeno. O preço vai ser regulado pelas questões normais de mercado, de oferta e procura. Há uma distorção hoje, por aspectos da sonegação", afirmou.
Ele disse esperar que a MP, que está sendo discutida no plenário da Câmara dos Deputados, seja votada nas próximas semanas. Dutra discordou da posição dos usineiros, que apontam que a nova regra geraria aumento do preço do álcool e maior dificuldade de colocação do produto no mercado.
"Não haverá mudança de tributação. Isso não vai influenciar na questão de competição do mercado de gasolina. Isso vai reduzir a sonegação do álcool, contribuindo com a moralização do mercado", observou.
Sobre a colocação de biodiesel no mercado, José Eduardo Dutra avaliou que existe um 'desafio logístico', em função de as usinas produtoras estarem longe dos grandes centros. Isso exige que os deslocamentos para levar o produto para o refino sejam maiores, sendo que as condições de muitas estradas são precárias. Dutra lembrou que a BR investiu R$ 60 milhões para implementar a logística para o combustível, e que a empresa chegou a sofrer com a falta de caminhões no mercado, devido ao aquecimento da demanda interna.
A BR planeja que o mercado de combustíveis irá crescer 3,6% ao ano, até 2012, mediante um incremento anual de 4% do PIB (Produto Interno Bruto). No ano passado, o mercado de combustíveis registrou expansão de 8,2%. "Nossas projeções são conservadoras", destacou.
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