FMI diz que aumento de preços de alimentos pode trazer inflação de volta
da Efe, em Washington
O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, disse nesta quinta-feira que "a inflação pode ter voltado" ao mundo por causa do aumento dos preços dos alimentos e da energia, mesmo com a desaceleração generalizada.
Em entrevista coletiva antes da assembléia do primeiro semestre do FMI e do Banco Mundial, Strauss-Kahn afirmou que a economia mundial está "entre o gelo e o fogo".
O gelo é um arrefecimento da atividade, que deixará o crescimento do planeta em 3,7% este ano. Ao mesmo tempo, a inflação subiu. Strauss-Kahn disse que o aumento dos preços dos alimentos "pode solapar todos os avanços na redução da pobreza."
Ele atribuiu este avanço em parte pelo aumento dos cultivos para biocombustíveis e recomendou eliminar as barreiras que limitam um desenvolvimento do fornecimento de alimentos.
Strauss-Kahn disse que em alguns países africanos o aumento destes preços representará uma piora de 1% de sua conta corrente, um impacto que considerou "gigante".
"O efeito é provavelmente maior que a maior parte dos choques (econômicos) do passado", declarou.
Strauss-Kahn disse que para alguns países o perigo de desaceleração é mais importante, enquanto outros devem se preocupar mais com a inflação.
Sobre a crise financeira, afirmou que os problemas econômicos dos Estados Unidos serão transmitidos para o resto do mundo.
Ele afirmou que uma diminuição do crescimento em um ponto percentual na maior economia do mundo reduz o ritmo na Europa em 0,4 ponto percentual, o que explica o arrefecimento que o FMI prediz para o velho continente.
Os mercados emergentes suportaram bem a crise até agora, mas Strauss-Kahn disse que "não são imunes" a ela. Alertou do risco de uma redução "drástica" dos fluxos de capital para os países em desenvolvimento, o que atingiria especialmente as nações que dependem mais do dinheiro externo para seu financiamento.
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