Dinheiro
10/04/2008 - 16h30

Crise de alimentos é fruto de ataques especulativos, diz representante da FAO

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ALEXANDRA BORGES
Colaboração para a Folha Online, em Brasília

O representante da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) para América Latina e Caribe, José Graziano, disse nesta quinta-feira, em evento no Brasil, que a crise mundial de alimentos é fruto de um ataque especulativo.

Durante apresentação da 30ª Conferência Regional da FAO para América Latina e Caribe, em Brasília, Graziano alertou que as causas dos problemas recentes de desabastecimento e alta dos preços são: crescimento da demanda mundial por alimentos sem crescimento similar da oferta, os menores estoques de produtos agrícolas dos últimos 30 anos e a desvalorização da moeda norte-americana.

Nesta quinta-feira, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se manifestaram sobre a crise de alimentos e a alta dos preços instituições como a ONU, FMI (Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.

Segundo Graziano, a queda do dólar e a crise norte-americana provocaram a migração dos investimentos para a compra de commodities agrícolas. Isso, de acordo com ele, fez com que os preços dos produtos chegassem aos maiores patamares dos últimos 40 anos.

"Essa crise vai durar porque, vencido o ataques especulativo, é preciso fazer a reposição dos estoques", afirmou ele.

Paralelamente ao que chamou de ataque especulativo às commodities agrícolas, Grazino destacou o desenvolvimento de programas sociais que garantiram maior distribuição de renda, e a conseqüente aumento da demanda por alimentos por segmentos da população que até então estavam de fora. Segundo ele, isso permitiu que países como China e Índia entrassem com força no mercado mundial.

"As pessoas estão comendo e estão comendo bem. Isso provocou queda nos estoques mundiais, pois a demanda está crescendo a um ritmo mais forte que a oferta", afirmou Grazino.

Para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, esse ataque especulativo é prova decisiva para que países como o Brasil mostrem a sua capacidade de abastecimento, através de políticas fortes voltadas para segurança alimentar. Cassel afirmou que o Brasil tem investido nos produtores de alimentos ---agricultura familiar- ao longo dos últimos anos, política que deve se manter.

"Essa crise não é de produção, mas sim especulativa. O Brasil pe capaz de produzir ainda mais, aliás, o mundo já produz o suficiente para população mundial, porém é incapaz de fazer a distribuição justa para todos", disse o ministro do DDesenvolvimentoAgrário.

O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, destacou que o governo brasileiro está empenhado em garantir o abastecimento nacional e também contribuir com o mercado externo, pois é um dos grandes produtores agrícolas do mundo.

Porto, no entanto, disse que o país vem discutindo como ampliar a produção dentro da pperspectivade manutenção das áreas já usadas sem prejuízos à região amazônica. Outro aspecto que tem sido discutido pelo ministério é a capacidade de escoamento da produção.

Além das questões de segurança alimentar e políticas de combate à fome, a conferência irá discutir temas como biocombustíveis e os riscos que a atividade pode trazer à produção de alimentos. Temas como a rastreabilidade de alimentos e bioseguranças também estão na agenda.

 

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