Greve atrasa liberação de US$ 1 bi no porto de Paranaguá
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba
A greve dos auditores da Receita Federal já atrasou o despacho de mercadorias avaliadas em US$ 1 bilhão no porto de Paranaguá, segundo o sindicato da categoria. O valor equivale a cerca de 10% do faturamento anual do terminal e abrange cargas que ainda aguardam liberação ou que já foram despachadas, com atraso de até duas semanas, por meio da operação padrão adotada pela categoria, que completa hoje 24 dias de paralisação.
O setor mais afetado pela greve é o de importação, que acumula US$ 800 milhões em mercadorias que tiveram o desembaraço estendido além do normal.
Sem poder escoar em grande escala, o setor de logística enfrenta problemas. O pátio de contêineres do porto está sempre lotado à espera da análise aduaneira dos auditores. O pátio é administrado por uma empresa privada, o TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), que informou, por meio de sua assessoria, que não se manifestaria sobre os efeitos da greve na movimentação de cargas.
"A situação ficará ainda pior quando a greve acabar. Por causa dela, as empresas não estão trazendo carga para o porto. Quando acabar, vai ter muita fila por aqui", afirmou o caminhoneiro Mário Guilherme, 48, que acabava de chegar com um contêiner sem saber quando estaria autorizado a descarregá-lo. Ao menos 50 caminhões aguardavam, ontem à tarde, no lado de fora do pátio, para entrar com seus contêineres.
No mar, repete-se a situação de acúmulo e espera. Cerca de 40 navios estão fundeados na costa do Paraná à espera de vaga para atracar em Paranaguá e no porto de Antonina.
A direção da delegacia sindical de Paranaguá do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal) reconhece que parte das embarcações está sendo afetada pela greve, mas também atribui o acúmulo de navios a outros motivos, como fatores climáticos e o tempo que cada navio leva para completar as operações de embarque e desembarque.
Devido à greve dos auditores, a Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) conseguiu uma liminar na Justiça Federal de Paranaguá para que os auditores analisem em prazo máximo de cinco dias as cargas de empresas filiadas a sindicatos ligados ao sistema Fiep. A liminar atende 96 entidades patronais que representam cerca de 30 mil indústrias do Estado. O Unafisco diz que já foi comunicado da decisão e está cumprindo a determinação judicial. No setor de embarque de grãos, apesar de greve de estivadores, os carregamentos continuam normais, já que há mercadorias estocadas nos silos, segundo a assessoria do porto.
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