Dinheiro
12/04/2008 - 09h18

HSBC lidera ranking das maiores empresas do mundo

SIMONE CUNHA
Colaboração para a Folha de S.Paulo

No ano da crise do mercado imobiliário norte-americano, que contaminou o sistema financeiro do país, a lista das 2.000 maiores empresas do mundo, feita pela "Forbes", foi liderada por um banco, o HSBC. E outras instituições financeiras melhoraram suas posições.

Também pela primeira vez desde 2004, quando a lista começou, o Citigroup saiu da liderança e tirou os EUA do primeiro lugar cativo.

A classificação da "Forbes" contabiliza vendas anuais em dólar, lucro, ativos e valor de mercado. Segundo essa análise, o HSBC subiu duas posições em relação ao ano anterior e passou a ser a maior empresa do mundo no ano passado. Em 2004, estava em sétimo.

As 2.000 empresas venderam US$ 30 trilhões em 2007, lucraram US$ 2,4 trilhões, tinham ativos de US$ 119 trilhões, valor de mercado de US$ 39 trilhões e empregavam cerca de 72 milhões.

Os bancos continuam liderando a lista, com 315 representantes, e têm também os ativos mais valiosos, US$ 58,3 trilhões, e o maior lucro, US$ 398 bilhões. O setor de óleo e gás lidera em vendas, com US$ 3,76 trilhões, e é o segundo em lucro, com US$ 386 bilhões.

Mas, ao mesmo tempo em que mostra grupos financeiros como HSBC, Bank of America, JPMorgan Chase, BNP Paribas e Royal Bank of Scotland melhorando seus resultados, o ranking também mostra Citigroup e UBS como ícones da crise. O Citi, que ocupava o primeiro lugar desde 2004, caiu para o 24º. O UBS saiu da 11ª para a 386ª posição.

A lista deste ano tem mais países que nos anteriores --são 60, contra 51 no primeiro ano. E muito desse crescimento ocorreu à custa dos EUA, o país que mais perdeu espaço.

A comparação entre 2004 e o ano passado mostra emergentes como China, Índia e Brasil ganhando espaço de EUA, Japão e Reino Unido. A China lidera a lista dos crescimentos, com 45 empresas a mais em quatro anos, totalizando 70. A Índia agregou 21 companhias, e o Brasil, 19.

Já os EUA perderam 153 posições entre as maiores empresas do mundo --são 598 em 2007, contra 751 na lista inicial-- e caíram 34,5 pontos percentuais em participação nos lucros das 2.000 maiores. O Japão encolheu sua fatia em 57 empresas, mas aumentou sua parte nos lucros em 5,7 pontos.

O Reino Unido perdeu 23 empresas, mas lidera a lista com o HSBC. O banco teve crescimento médio anual de 26% nas receitas e de 31% nos lucros nos últimos cinco anos.

Só entram na lista empresas com ações negociadas nos EUA ou ADRs (American Depositary Receipts), cujas ações valham mais que US$ 5 e que vendam pelo menos US$ 1 bilhão.

Brasil

Com 34 empresas na lista --19 a mais do que em 2004--, o Brasil é um exemplo da expansão da representação de países emergentes entre as maiores companhias. No ano passado, havia 19 empresas brasileiras no ranking.

Passaram a integrar a lista neste ano as duas Bolsas do país, Bovespa (1.932º lugar) e BM&F (1.948º), que abriram capital no ano passado e tiveram as maiores captações da história, de R$ 6,6 bilhões e R$ 6 bilhões, respectivamente.

A empresa brasileira mais bem posicionada continua sendo a Petrobras, que subiu do 51º para o 29º lugar no ranking. Maior que o grupo espanhol Telefónica (34º), a americana Procter&Gamble (31º) e o Deutsche Bank (32º), por exemplo, a estatal teve lucro de US$ 11 bilhões e valor de mercado de US$ 236,7 bilhões no ano passado.

A Vale, segunda maior entre as companhias nacionais e 76ª da lista, passou na frente de Banco do Brasil e Bradesco. No entanto, na lista geral, os dois ganharam espaço. O BB foi do 176º para o 132º lugar, e o Bradesco, do 187º para 85º.

O setor com maior número de empresas representadas em 2007 (oito) é o de infra-estrutura, como energia e saneamento e estradas. Entraram no ranking Sabesp (1.499º), Cesp (1.646º), Copel (1.740º), CCR (1.789º) e Light (1.968º).

A Eletrobrás, estatal do setor de energia, que já estava entre as maiores, passou da 504ª para a 492ª posição. No setor bancário, segundo com mais representantes, entraram na lista a Nossa Caixa e o Banrisul, ambos estatais. A Gerdau subiu para o 766º lugar (do 1.021º), e a Usiminas, para o 736º (do 844º).

 

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