Dinheiro
15/04/2008 - 09h06

Lula vê precipitação em anúncio de megacampo de petróleo

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou uma "precipitação indevida" o anúncio do diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, de que a Petrobras teria descoberto um novo campo de petróleo que poderia ser o terceiro maior do mundo, informam Kennedy Alencar e Humberto Medina na edição de hoje da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo apurou a Folha, Lula ficou contrariado porque, mesmo já tendo sido informado da alta probabilidade de uma nova descoberta, a Petrobras ainda não teria uma confirmação definitiva do potencial do campo de Carioca. Lula também se mostrou preocupado com o efeito no mercado de ações. Segundo o presidente, Lima teria sido amador e permitido especulação. Lula foi informado dos detalhes da nota da Petrobras antes de ela ser divulgada.

Alguns ministros, como Edison Lobão (Minas e Energia) e Paulo Bernardo (Planejamento), também mostraram descontentamento com o anúncio. Lobão disse que ainda não há informações seguras sobre a descoberta, enquanto que Bernardo afirmou que esse tipo de anúncio tem de ser feito de forma legal.

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Lima disse ontem que o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, pode ser o terceiro maior campo de petróleo do mundo. Segundo ele, o poço, que teria reservas em torno de 33 bilhões de boe (barris de óleo equivalente), seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos.

Durante o 4º Seminário de Petróleo e Gás Natural promovido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), no Rio, Lima ressaltou que as informações são "oficiosas", mas oriundas de fontes da Petrobras.

"Seria a maior descoberta feita no mundo nos últimos 30 anos e seria também o terceiro maior campo do mundo na atualidade. É algo do Oriente Médio, mas nada está confirmado", afirmou Lima, referindo-se à região do planeta que tem as maiores reservas do mundo.

O BM-S-9 é operado pelo consórcio Petrobras, que tem 45% do campo, a British Gas, com 30%, e Repsol, com 25%. A Petrobras afirmou apenas que "tecnicamente" o bloco Carioca não pode ser chamado de campo, sendo que o poço ainda não foi declarado comercialmente viável.

Por meio de nota, explicou que a continuidade das atividades exploratórias (da região) inclui a perfuração de novos poços, teste de formação de longa duração e novos estudos geológicos para comprovar a abrangência da descoberta. "Dados mais conclusivos sobre a potencialidade da descoberta somente serão conhecidos após a conclusão das demais fases do processo de avaliação, e serão informados ao mercado oportunamente."

Mercado

O mercado repercutiu rapidamente o anúncio de Lima. Ontem, a ADR (American Depositary Receipt) das ações ordinárias da Petrobras foi o oitavo papel mais negociado da Bolsa de Valores de Nova York, com alta de 8,27%. Na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), a ação preferencial valorizou 5,62%, para R$ 82,97, com volume de R$ 2,2 bilhões, enquanto a ordinária teve avanço de 7,67%, para R$ 102,41, com movimento de R$ 472 milhões.

Já as ações das parceiras, a inglesa BG Group e a hispano-argentina Repsol-YPF, operam com fortes ganhos hoje. Por volta das 10h, a empresa inglesa tinha valorização de 5,73%, enquanto que os papéis da Repsol subiam 9%.

Devido ao forte movimento das ações, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) avaliou como prejudicial as informações divulgadas por Lima.

"A CVM considera prejudicial a divulgação de informações sobre companhias abertas por pessoas que não façam parte da sua administração ou que não sejam seus porta-vozes. Especialmente se forem informações com potencial de influenciar os preços das ações negociadas no mercado e a decisão dos investidores de comprar ou vender", afirmou a CVM em nota.

"Esse tipo de comunicação de fatos relevantes deve ser feita exclusivamente pela companhia, utilizando os canais oficiais de comunicação com a CVM e com o mercado, garantindo assim o acesso simultâneo e amplo à notícia."

 

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