Auditores fiscais da Receita decidem manter greve por tempo indeterminado
da Agência Brasil
com Folha Online
Os auditores fiscais da Receita Federal, em greve desde 18 de março, decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado. Está garantido apenas o atendimento essencial, como a liberação de produtos perecíveis, com 30% dos trabalhadores nas unidades como determina a lei.
A paralisação também não afeta ao recebimento das declarações do Imposto de Renda na internet, que feito de forma automática pelos computadores da Receita Federal. A supervisão do programa do Imposto de Renda diz que apenas o atendimento pessoal pode ser prejudicado, se não forem mantidos os 30% do pessoal.
Segundo comunicado do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal) e da Fenafisp (Federação Nacional dos Auditores Fiscais), a manutenção da paralisação é uma resposta à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de autorizar a Receita a descontar os dias parados no salário dos grevistas.
Das 73 delegacias sindicais existentes no país, 67 enviaram ao comando de greve o resultado das assembléias realizadas ontem (14), muitas delas concluídas no final da madrugada de hoje (15). Foram computados 2.465 votos, dos quais 79,07% a favor do indicativo de continuidade da greve nos moldes atuais.
Os auditores fiscais também aprovaram, segundo o comunicado, a criação de um fundo para evitar prejuízos, caso o governo decida cortar o ponto dos grevistas, e a apresentação de um contra-proposta salarial ao governo.
Os grevistas ameaçam entregar os cargos de chefia na próxima quinta-feira (17) e prometem promover manifestações em todo o país no dia seguinte. Os auditores reivindicam equiparação salarial com os delegados da Polícia Federal, que segundo eles pode chegar a R$ 18 mil.
O Ministério da Fazenda tem até hoje para enviar ao Ministério do Planejamento a lista dos funcionários em greve que terão corte de ponto em abril. A folha de pagamento dos servidores federais fecha no dia 18.
Prejuízos
O vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, disse à Folha que a paralisação já afeta a balança comercial brasileira, em especial o embarque de produtos agrícolas. Para ele, ainda não é possível quantificar o prejuízo para as exportações. Mas lembrou que muitas empresas perderam clientes no exterior porque não conseguiram embarcar a mercadoria no tempo previsto.
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