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Dinheiro
15/04/2008 - 12h11

Lobão nega que diretor da ANP será punido por comentários sobre poço

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) negou nesta terça-feira que o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, será punido pelo governo por causa de seus comentários sobre o tamanho das reservas de petróleo do bloco conhecido como Carioca.

"O Haroldo [Lima] tem um mandato. Foi eleito pelo Senado. Não se cogita sanção", afirmou o ministro, antes de participar de um encontro de prefeitos que ocorre em Brasília.

Ontem, Lima comentou, durante seminário no Rio, que a Petrobras o bloco BM-S-9, conhecido como Carioca, pode ser o terceiro maior campo de petróleo do mundo. Segundo ele, o poço, que teria reservas em torno de 33 bilhões de boe (barris de óleo equivalente), seria cinco vezes maior que o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos.

A notícia fez as ações da estatal dispararem na Bolsa de Valores e gerou repercussão nos demais mercados acionários do mundo entre os papéis do setor petrolífero. A Petrobras se limitou a comunicar, por meio de nota, que "dados mais conclusivos sobre a potencialidade da descoberta somente serão conhecidos após a conclusão das demais fases do processo de avaliação, e serão informados ao mercado oportunamente".

Lima recebeu críticas mais diretas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão que regula o mercado de capitais no Brasil. Em nota também divulgada ontem, a CVM disse considerar "prejudicial a divulgação de informações sobre companhias abertas por pessoas que não façam parte da sua administração ou que não sejam seus porta-vozes".

Interesses

Lobão disse ainda que a preocupação do governo é cuidar dos interesses da Petrobras no país e que a nota da empresa já esclareceu o episódio. "A gente quer cuidar dos interesses do petróleo no Brasil. O Ministério de Minas e Energia e a Petrobras já disseram sua posição. A nota da Petobras esclarece o assunto. Vamos aguardar os desdobramentos".

O Ministro afirmou também que não dispõe de informações detalhadas a respeito da perfuração do poço citado por Lima. "Não tenho condições de dizer se as informações são improcedentes. Houve uma perfuração de um poço. Os dados estão sendo analisados. Não tem como dizer se a situação é tão boa, média ou não é o que o foi dito", acrescentou.

 

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