Indústria diz que novo "ciclo" de aumento dos juros vai frear o PIB
DEISE DE OLIVEIRA
da Folha Online
A retomada de um novo ciclo de aumento da taxa de juros pelo BC (Banco Central) não deve interromper o crescimento do país, mas frear sua expansão. A avaliação é de Paulo Francini, diretor do Depecon (Departamento de Pesquisas Econômicas) da Fiesp.
"Dá para dizer que o desempenho de 2008 será negativamente afetado pela retomada da alta da taxa de juros, ainda que o resultado seja melhor que o de 2007. Mas poderia ser maior se não fosse a alta dos juros", disse Francini.
A entidade deve anunciar ainda neste mês a revisão de suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto), atualmente em 4,8%, e para a balança comercial deste ano, já contemplando um aumento na taxa de juros na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que começa hoje e termina amanhã --a Selic está hoje em 11,25% ao ano.
Segundo Francini, o aumento da taxa de juros, no entanto, não deverá se limitar apenas a essa reunião. Ele disse acreditar em uma "nova rodada de aumento de juros", com impacto negativo, mas não imediato no desempenho da economia.
"O aumento da taxa de juros de 0,25 [ponto percentual] não é mensurável e importante. Mas todos sabemos que a elevação significa pressão para reduzir a atividade econômica e a taxa de crescimento. E é isso que a autoridade monetária está querendo", disse.
Para o economista, com cenário de taxa de juros estável, o PIB está mais próximo da casa de 5% de alta, enquanto no cenário de aumento da taxa, o PIB fica mais próximo da casa de 4%.
"Com o aumento, ficaremos muito próximos do que estamos hoje. É uma grande perda deixar de adicionar 1 ponto percentual ao PIB deste ano."
Segundo Francini, a mudança de comportamento do BC, no caso de elevar a selic, tem um peso mais simbólico do que numérico, no que diz respeito às expectativas dos empresários quanto ao futuro --com reflexos no planejamento das companhias.
"O pensamento e o comportamento do empresário era calcado em um ciclo de crescimento [da economia] consistente. Há quem vá fazer revisão de investimentos previstos a partir de outra crença", afirmou Francini.
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