Descobertas podem mudar foco dos investimentos da Petrobras, diz diretor
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A Petrobras poderá remanejar parte dos investimentos previstos no plano estratégico da companhia caso as descobertas recentes na área do pré-sal confirmem o potencial estimado pelo mercado. O diretor da área internacional, Jorge Zelada, ressaltou que a companhia não é segmentada e faz uma avaliação integrada das oportunidades.
A Petrobras prevê investir US$ 112,4 bilhões entre 2008 e 2012. Desse total, US$ 15 bilhões serão voltados para a área internacional, e serão alocados em 27 países diferentes.
Zelada evitou fazer comentários sobre a polêmica declaração do diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, de que o bloco BM-S-9, situado na bacia de Santos, tem reservas cinco vezes maiores do que o campo de Tupi, também em Santos.
Ele limitou-se a repetir o discurso da empresa expresso em nota. Segundo o executivo, a Petrobras só vai se manifestar depois de resultados concretos com as perfurações que ainda estão previstas.
Sobre a produção internacional da estatal, Zelada informou que, ainda este ano, serão agregados mais 30 mil barris/dia oriundos do início da produção do campo de Agbami, no qual a Petrobras tem 13% de participação. A capacidade de produção dos sistemas que lá serão instalados totaliza 250 mil barris/dia. Além deste campo, a Petrobras espera iniciar também, na Nigéria, a produção no campo de Akpo, com capacidade para até 200 mil barris/dia. Nesse último, a companhia brasileira detém 20% dos ativos.
"A previsão é que a produção em Agbami comece em junho", afirmou.
O diretor disse que ainda está previsto o envio de duas novas sondas exploratórias para o oeste africano. Elas estão sendo construídas no estaleiro Samsung, na Coréia do Sul, mediante investimentos de US$ 1,5 bilhão. Uma delas é feita com a japonesa Mitsui, e a outra, é 100% Petrobras.
Jorge Zelada informou ainda que a Petrobras ainda estuda participação no campo de Carabobo, na Venezuela. A participação da empresa brasileira no campo seria uma contrapartida na sociedade com a estatal venezuelana PDVSA. O acordo entre as duas empresas engloba a refinaria do Nordeste, que está sendo construída em Pernambuco, e o campo de Carabobo.
No projeto no Brasil, a Petrobras terá 60%, com o restante para a PDVSA. Inicialmente, essa participação teria a mesma proporção, só que inversa, em Carabobo. Mas a Petrobras avalia ficar com apenas 10% de participação no ativo venezuelano.
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