Dinheiro
16/04/2008 - 09h19

Sem espaço, navios desviam de Santos, afirma sindicato

Publicidade

JOANA CUNHA
PAULO DE ARAÚJO
Colaboração para a Folha de S.Paulo
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

Com o espaço nos terminais de carga praticamente esgotados por conta da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, dois navios tiveram de desviar ontem do porto de Santos à procura de outro destino.

Essa situação deve se repetir com maior freqüência nos próximos dias, na medida em que até 95% da capacidade de armazenamento no porto está exaurida, segundo o gerente-executivo do Sindamar (Sindicato das Agências de Navegação Marítima de São Paulo), José Roberto Mello.

Atualmente, há mais de 150 mil contêineres parados no porto desde que a greve começou, em 18 de março, de acordo com estimativas do diretor-executivo da Abtra (Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegários), José Roberto de Sampaio Campos. Segundo cálculos da regional de Santos do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), o acúmulo representa um volume estimado de mais de US$ 9 bilhões em mercadorias. O porto de Santos movimenta, por mês, cerca de 140 mil contêineres com 2 milhões de toneladas de produtos. "Está chegando ao limite, ao esgotamento da capacidade de manuseio", diz o diretor de comércio exterior do Ciesp, Ricardo Martins.

Em caso de impossibilidade de descarga, o navio procura o porto seguinte, diz Campos. E como todos os portos brasileiros estão na mesma situação, ele acabará deixando a carga na Argentina ou no Uruguai. Para retornar, o que pode acontecer por terra, os custos ficam por conta do importador. "Aí, podem sair até mais que o dobro do frete original", afirma.

A greve continua a prejudicar principalmente as importações, mas seu prolongamento poderá começar a afetar as exportações já na próxima semana, porque o acúmulo de carga parada provoca também uma falta de contêineres no mercado, afirma o diretor-executivo da Abtra. "A situação se agrava de hora em hora."

Transtornos

Ontem, a greve causou filas em Uruguaiana e São Borja, ambas na fronteira entre a Argentina e o Rio Grande do Sul, onde se aglomeraram cerca de 1.600 caminhões. Em Santa Catarina, liminar da Justiça Federal obriga os auditores no porto catarinense de São Francisco do Sul a garantir o desembaraço de cargas em cinco dias.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o governo irá descontar o salário dos auditores pelos dias não trabalhados a partir do dia 8 de abril, em respeito a uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Para um desconto retroativo, o governo depende ainda de um novo julgamento.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca