Descobertas no pré-sal podem tornar Brasil exportador de gás, diz diretora
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
A diretora de Gás e Energia da Petrobras, Maria da Graça Foster, afirmou nesta terça-feira que as descobertas da área do pré-sal (de grande profundidade, abaixo da camada de sal subterrâneo) poderão tornar o país exportador de gás.
A executiva ressaltou que é fundamental que se contenha a ansiedade em relação à possibilidade de novas áreas descobertas. Segundo ela, o processo exploratório é longo e é preciso que se tenha calma.
"Temos só que segurar essa felicidade para termos os dados técnicos em nossas mãos. São várias fases até irmos falar com a ANP [Agência Nacional do Petróleo]. Queremos mais, mas é preciso esperar, porque não há dados ainda", disse a diretora em referência às perspectivas para o bloco Carioca, na Bacia de Santos.
A diretora acrescentou que a Petrobras não pode falar detalhes sobre uma possível zona de produção se ainda não concluiu os estudos definitivos. "Quando for anunciado, vai ser de forma que se sustente tecnicamente", afirmou.
Na segunda-feira, no Rio, o diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, afirmou que o bloco Carioca (BM-S-9) seria cinco vezes maior que o de Tupi, com reservas em torno de 33 bilhões de boe (barris de óleo equivalente). Isso tornaria o Carioca o terceiro maior campo de petróleo do mundo.
Em janeiro, a Petrobras comunicou a descoberta do campo de Júpiter, próximo à área de Tupi, na Bacia de Santos. À época, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, sinalizou que ele poderia tornar o Brasil auto-suficiente na produção de gás natural.
Quanto à possibilidade de tornar-se exportador de gás, Estrella foi mais comedido e informou que tal condição vai depender da orientação do governo e do mercado de gás, principalmente na América do Sul, e da disposição da parceira da Petrobras no ativo, a portuguesa Galp, em vender parte do gás para o exterior. A Petrobras é a operadora do bloco, com 80% de participação. Os 20% restantes cabem à Galp.
A área do pré-sal estende-se do Espírito Santo a Santa Catarina, e engloba três bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos), numa extensão aproximada de 800 quilômetros.
Ainda sobre a exploração no pré-sal, Graça destacou que a Petrobras não tem parceiros preferencias, desmentindo o presidente da Petrogal, Ricardo Peixoto, que momentos antes declarara que a Petrobras está comprometida com o sucesso da empresa portuguesa. Peixoto afirmou ainda que a estatal brasileira não desenvolve trabalhos neste nível com outras empresas estrangeiras.
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