Dinheiro
16/04/2008 - 16h46

Dólar fecha a R$ 1,66, menor cotação desde 1999

da Folha Online

O mercado financeiro elevou as apostas num aumento de juros ainda mais drástico da taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano. A parcela dos economistas do setor financeiro que aposta em 0,50 ponto percentual ganhou força, o que se refletiu nas projeções de juros e contribuiu para derrubar a taxa de câmbio para seu menor nível desde maio de 1999.

O dólar comercial foi trocado por R$ 1,664 para venda, em declínio de 1,18%, em sua menor cotação do dia. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi vendido por R$ 1,770, em baixa de 0,56%. A taxa de risco-país marca 227 pontos, número 6,19% inferior à pontuação final de ontem.

O Banco Central entrou no mercado às 12h29 e aceitou ofertas por R$ 1,6720 (taxa de corte).

Profissionais de corretoras acreditam que a derrocada do dólar ainda não encontrou seu piso e que o mercado pode "testar" R$ 1,65 no curtíssimo prazo.

A sequência de dez dias de queda contínua dos preços da moeda americana foi provocada pela convicção, cad vez maior, de que o Copom (Comitê de Política Monetária) deveria elevar a taxa básica de juros. Na semana passada, formou-se um relativo consenso de que esse ajuste seria de 0,25 ponto percentual. Desde ontem, com a disparada do petróleo, que bateu recordes consecutivos, ganhou mais peso a corrente que "defende" uma correção para 11,75%.

Dessa forma, abre-se ainda mais a diferença entre juros brasileiros e americanos (2,25% ao ano), o que tende atrair ainda investimentos externos para o país.

"O fluxo de dólares continua muito forte. Segundo o Banco Central, somente até o dia 11 foram US$ 3,7 bilhões pelo lado comercial e outros US$ 1,7 bilhão pelo lado financeiro. Temos que lembrar também que o BC pode ser muito cauteloso para abaixar os juros, mas nem tanto na hora de subir", comenta Mário Paiva, profissional da mesa de operações da corretora Liquidez.

Juros futuros

Os contratos futuros de juros projetaram taxas mais altas nos vencimentos de 2009, 2010 e 2011, na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros).

No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada subiu de 12,48% ao ano para 12,53%; no contrato de janeiro de 2010, a taxa projetada avançou de 13,28% para 13,35%; e no contrato de janeiro de 2011, a taxa projetada passou de 13,40% para 13,48%.

Comentários dos leitores
J Souza (103) 10/10/2008 17h10
J Souza (103) 10/10/2008 17h10
Uma entrevista com vários especialistas tem algumas conclusões interessantes:
1. A crise nos EUA é sistêmica, pior que as crises passageiras de 1987 e 1991. Recessão lá pode durar 10 anos, como aconteceu no Japão na década de 1990.
2. China e América Latina poderão amortecer bem o choque atual.
3. O mundo NÃO tem falta de liquidez: fundos soberanos tem cerca de 3 trilhões de dólares em caixa.
4. Grandes grupos corporativos americanos e bancos japoneses estão com dinheiro de sobra, algo em torno de 2.3 trilhões de dólares. De olho para investir, comprando bancos e empresas falidos.
5. China tem mais mais 1,9 trilhão de dólares em poupança mas que está bloqueada devido a regras do sistema bancário. Pode ser liberado gradativamente e transformar esse país num fator de crescimento da economia mundial.
4. Por outro lado o consumo parou de crescer nos EUA. China e India representam somente 16% do poder de consumo dos EUA. EUA continua importante.
5. O déficit americano encontra dificuldades de achar financiadores. Japão, China e os países árabes estão saindo fora. Isso trará sem dúvida aumento de impostos nos EUA, causando ainda maior diminuição no consumo.
Ainda é cedo para saber o que vem pela frente, mas esses dados permitem uma visualização do que nos espera. Quanto ao nosso governo, que pare com essa retórica anti-americana atrasada de 40 anos e use seu tempo e esforços não em discursos obsoletos, mas em ações para preservar nosso país do pior dessa crise.
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osvaldo p s junior (2) 10/10/2008 14h19
osvaldo p s junior (2) 10/10/2008 14h19
O Sr. Alex Silva está corretíssimo em dizer que quem está ganhando com isso são os bancos basta perguntar para qualquer exportador o que está acontecendo e ele dirá: "meu banco disse que não tem linhas de crédito e com isso, para minha operação de exportação agora tenho que pagar até mais de 8% de juros ao ano do que eu pagava antes e ele ainda avisa: "Se não quiser, tudo bem, ofereço a outro cliente" Se o Governo e BC querem ajudar a economia, que ajudem as empresas exportadoras e que monitorem os bancos e os penalize em caso de especulação com a moeda seja ela Dólar ou Reais. Caso isso não ocorra, o resultado de todo esse esforço do Governo e BC com certeza estará refletido nos balanços de alguns bancos com certeza em forma de lucro e para nós os contribuintes, mais uma vez o prejuízo! 15 opiniões
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J L (6) 10/10/2008 14h07
J L (6) 10/10/2008 14h07
Alex Silva...
Nós dependemos apenas de 10% do dinheiro de fora ?!?!?!?!?!?
Analise...
O dinheiro das Exportações do Brasil, vem de onde ???
Do Banco Central ? Do Mensalão ? Do "parco" salário de nossos governantes e parlamentares ?
ACORDA!!!
Se o Brasil não exportar, o país não aguenta sozinho...
E, infelizmente, o maior consumidor mundial de produtos é os EUA... Mesmo que nossas exportações para lá, não sejam (segundo o Presidente) tão grandes como no passado, temos que levar em consideração que os outros países do mundo tb dependem de exportar para lá e outros países...
Ou seja, se começar a "travar" de verdade nos EUA, a coisa vai ficar preta...
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