Com decisão do Copom, mercado já aguarda novas altas da taxa Selic
EPAMINONDAS NETO
da Folha Online
A taxa básica de juros do país, a Selic, subiu nesta quarta-feira e deve subir mais nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), afirmam analistas do setor financeiro. O objetivo: evitar que um possível descompasso entre oferta e demanda comece a se refletir sobre a inflação.
No comunicado divulgado nesta noite, os integrantes do Comitê justificam sua decisão porque deve "reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado", numa sinalização clara, para analistas do mercado, que mais ajustes da taxa devem ocorrer.
"O Comitê dá início a um processo de ajuste moderado da taxa básica de juros, tendo como principal objetivo evitar que desvios da inflação em relação à trajetória de metas venham a se tornar significativos no horizonte de médio prazo", afirmou Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia.
Para outro especialista, o fator "tempo" também pesou sobre a decisão do Copom. "Temos que lembrar que em 2004, no último ciclo de aperto monetário, as reuniões [do Copom] não eram tão esparsas como agora. Provavelmente, o Copom preferiu dar um aperto maior agora do que se arrepender depois", afirma João Philipe de Orleans e Bragança, da área de pesquisa macroeconômica da Paraty Investimentos.
"O recado que o Banco Central passou foi claro: quanto mais forte agora, mais condições terá de encerrar o ciclo de altas mais cedo. Nós já esperamos mais uns três ajustes de 0,50 ponto percentual", acrescenta o economista da Paraty.
Os economistas que defendiam a manutenção da taxa de juros argumentavam que o atual nível de investimentos do setor produtivo, entre outros motivos, poderia ser suficiente para deter a inflação corrente. Também citavam o nível de utilização da capacidade instalada na indústria como razoável para deter o possível descompasso entre oferta e demanda.
Juros, Bolsa e câmbio
O impacto para o consumidor e o mercado financeiro nos próximos dias deve ser imediato. "Os bancos já repassaram a expectativa [de alta da Selic] nos juros. Com um nova alta, a tendência é que subam novamente", comenta Carlos Eduardo Oliveira Junior, conselheiro do Corecon (Conselho Regional de Economia).
A repercussão sobre a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) pode ficar restrita às ações de empresas mais sensíveis às oscilações da oferta de crédito, como as companhias ligadas aos bens de consumo.
O juro mais alto, no entanto, pode impactar ainda mais o câmbio. Hoje, o dólar chegou a seu menor nível em nove anos, a R$ 1,66, mas profissionais de mercado já acreditam que pode chegar a R$ 1,65 no curtíssimo prazo.
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Especial


Evidentemente para quem aplica recursos porque para quem toma não interessa absolutamente essa política.
Quem aplica é a comunidade internacional, então, me parece lógico que ouviremos elogios da imprensa internacional como um estímulo no sentido das taxas crescentes. Ainda, quando as taxas sobem o real é valorizado o que facilita a entrada de produtos importados (eles ficam mais baratos) Também, quando a nossa moeda é valorizada, as multinacionais turbinam seus lucros, na moeda do país de origem, com a variação cambial.
Claro que o aumento da taxa de juros é um mecanismo para controle da inflação. Baseia-se na inibição do investimento na produção e consumo, quando se estimula a poupança. Funciona, sem dúvida, e é uma ferramenta da chamada "política ortodoxa" de combate a inflação. Porém, há limitações. A primeira limitação, e que agrega um bom número de analistas é que o nosso nível de taxas praticadas de dois dígitos(a maior do mundo) está fora do "range" em que alguma variação teria eficácia.
Segundo, a inflação que hoje assistimos não tem raízes internas, então seria o cúmulo da pretensão querer parar a inflação mundial com essa politica-de-fundo-de-quintal, mesmo que ousada e brava, o fim seria o mesmo dos kamikazes. Terceiro, a alta dos juros não é uma ferramenta conveniente pelos motivos em que comecei essa exposição.
Os homens do poder sempre foram sensíveis às bajulações e por elas fazem todo o tipo de "tonterias", mesmo que bem intencionados, se esquecem dos fundamentos e economizam nas justificativas como forma de monopólio do saber e para o sustento da soberba, mas acabam entregando o ouro. O nosso ouro.
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Discordo. Não dá para comparar laranja com banana. Os países adiantados não têm esses desvios que você mesmo apontou e que causam ineficiência na economia. E não os têm porque as leis não são cheias de brechas, o judiciário faz seu trabalho direito, a estrutura política dos governos não permite abusos e as políticas fiscal e tributária não oneram tanto a produção. Por isso eles podem ter taxas mais baixas.
É obrigação do Lula e do Congresso criar essa infra-estrutura. E ele não tem cumprido com essa obrigação. Ele fez sim avanços na área social, mas nenhum na parte econômica.
Taxa de juros do Banco Central não deve ser tratada como causa, mas como consequência.
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