Dinheiro
17/04/2008 - 15h37

Embaixador diz que há "campanha orquestrada" contra biocombustíveis

da Efe, em Paris

O embaixador extraordinário do Ministério de Relações Exteriores para Mudanças Climáticas, Sergio Serra, afirmou, nesta quinta-feira, em Paris, que há uma "campanha orquestrada" na Europa para relacionar os biocombustíveis com o aumento do preço dos alimentos.

Os biocombustíveis "não interferem de nenhuma maneira no preço dos alimentos, pelo menos no Brasil", declarou Serra à imprensa no fórum do qual participam os principais países industrializados e emergentes emissores de dióxido de carbono (CO2).

O embaixador destacou que parece que existe uma "campanha orquestrada" na Europa contra o álcool extraído da cana-de-açúcar e do qual o Brasil é o maior produtor mundial.

Serra insinuou que essa postura pode estar ligada ao fato de que a Europa esteja buscando "vantagens competitivas", já que produz biodiesel (gerado a partir de oleaginosas e resíduos de frituras).

O diplomata afirmou que o Brasil continua sendo "um dos principais produtores de alimentos no mundo" sem que tenha havido uma "diferença sensível no preço dos alimentos em nível doméstico".

Ele também negou que a produção de álcool implique necessariamente em uma invasão da cana-de-açúcar em outros cultivos e disse o Estado de São Paulo é "o principal produtor de biocombustíveis e também o principal produtor de alimentos do país".

Serra declarou que a maior parte dos países nos quais houve distúrbios por causa da alta do preço dos alimentos não produz biocombustíveis.

A reunião de Paris, a portas fechadas, pretende estimular o debate sobre a redução de emissões de gases do efeito estufa para combater a mudança climática.

No evento, que termina amanhã, participam representantes do G8 (os sete países mais industrializados e a Rússia), Austrália, Coréia do Sul, China, Índia, Brasil, África do Sul, México e Indonésia, além de enviados da União Européia, das Nações Unidas e da Agência Internacional de Energia.

A terceira edição desta iniciativa impulsionada pelos EUA para tratar das reduções das emissões de gases do efeito estufa acontece um dia depois de o presidente americano, George W. Bush, apresentar uma estratégia para combater o aquecimento global que prevê a diminuição dos gases do efeito estufa no país até 2025.

Serra não quis comentar o discurso de Bush, mas reconheceu que há aspectos positivos como a "transferência de tecnologia" aos países em desenvolvimento e o reconhecimento das "responsabilidades comuns, mas diferenciadas", e lamentou que o plano não seja "mais específico".

O diplomata avaliou a reunião de Paris como "vontade política" das maiores economias do mundo de impulsionar o estipulado na Conferência de Bali. "Consideramos este fórum como um fórum de discussão, não um fórum propriamente de negociação. Para nós, o fórum são as Nações Unidas e o processo de Bali", acrescentou.

 

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