Governo volta a cogitar IOF maior para entrada de dólares
da Folha Online
O governo já estuda medidas para tentar compensar o efeito da alta da taxa de juros sobre o câmbio, informa reportagem da Folha desta sexta-feira (íntegra do texto exclusiva para assinantes do jornal e do UOL). A mais cotada seria um novo aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no ingresso de investimentos estrangeiros para a compra de títulos da dívida pública brasileira.
O governo descarta adotar medidas bruscas no câmbio e, no Planalto, fala-se em medidas tópicas para tentar frear uma enxurrada de ingresso de dólares no Brasil após a alta da taxa básica de juros. Desde março, cobra-se 1,5% de IOF de investidores estrangeiros que queiram comprar títulos da dívida pública. Esse percentual tende a subir significativamente se o real se mantiver valorizado em relação ao dólar no patamar de R$ 1,60.
No ano passado, os investimentos externos em títulos da dívida foram de US$ 20,5 bilhões. Só até fevereiro deste ano, o ingresso foi de US$ 4,7 bilhões. Com juros mais altos, a tendência é essa entrada se avolumar. Conforme apurou a Folha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se disse surpreendido pela intensidade da elevação da Selic anteontem pelo Banco Central e ele deverá cobrar explicações do presidente do BC, Henrique Meirelles.
Na última quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC decidiu elevar, por unanimidade, a Selic em meio ponto percentual, de 11,25% para 11,75% ao ano. É a maior taxa desde junho de 2007, quando a Selic era de 12%.
Embora a alta dos juros já fosse esperada, a maioria dos economistas apostava em um aumento menor, de 0,25 ponto percentual. Uma parte do mercado avaliava, no entanto, que o BC deveria promover um aumento mais forte dos juros agora para evitar que a inflação ficasse fora de controle.
O aumento dos juros era esperado desde a divulgação da ata da última reunião do Copom, quando o BC mostrou estar preocupado com o crescimento da inflação nos últimos meses e informou que uma elevação da taxa fora discutida pelo grupo.
Represa
No mês passado, o governo já tinha anunciado três medidas para conter a desvalorização do dólar: IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de 1,5% para os investidores estrangeiros que aplicarem em renda fixa (portfólio) e títulos públicos; fim do IOF sobre as exportações e fim da cobertura cambial, que é a exigência dos exportadores internalizarem (trazer para o país) os recursos das vendas ao exterior.
Outra reportagem da Folha desta quinta-feira aponta que considerando os últimos 12 meses, o real lidera entre as principais moedas que mais ganharam valor diante do dólar. No período, a moeda dos EUA sofreu desvalorização de 18,61% em relação ao real. Ontem, a divisa norte-americana encerrou o pregão cotada a R$ 1,657 --menor cotação desde maio de 1999.
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