Dinheiro
18/04/2008 - 11h34

FMI diz que pior da crise de alimentos está por vir e ataca biocombustíveis

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da Efe, em Paris
com Folha Online

O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, teme que "o pior" ainda esteja por vir nos distúrbios causados pela crise de alimentos em países pobres. Ele disse ainda que os biocombustíveis produzidos com produtos agrícolas alimentares colocam "um verdadeiro problema moral" no tema.

Além disso, Strauss-Kahn pediu que seja replantada a produção de biocombustíveis feita com produtos agrícolas que servem para a alimentação. "Nas revoltas da fome, o pior, infelizmente, talvez esteja à frente de nós", disse Strauss-Kahn na emissora "Europe 1", que acrescentou que "centenas de milhares de pessoas vão ser afetadas".

O responsável do FMI disse que, além da fome e dos riscos de crise de fome, está "a desnutrição". Ele ressaltou que as crianças mal alimentadas carregam as seqüelas durante "toda sua vida'.

"É extremamente grave. O planeta deve enfrentar isso", sentenciou Strauss-Kahn, que reiterou sua recente afirmação de que a crise atual pode levar a "guerras".

Ele afirmou que "não se trata de assustar, mas de ver a realidade" e explicou que, quando há situações "tão dramáticas", a população critica seus governos, embora tenham feito o que puderam, e podem fazer cair Executivos democraticamente eleitos. "A história está cheia de guerras que começaram por causa de problemas deste tipo", concluiu.

A preocupação com a recente alta dos preços dos alimentos e o forte crescimento da demanda no mercado mundial, associados à produção de biocombustíveis, foi tema de declarações de uma série de órgãos internacionais ao redor do mundo nas últimas semanas.

Reação

Em resposta às declarações do relator especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, que disse que a produção em massa de biocombustíveis representa um crime contra a humanidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quarta-feira (16) que descartar a produção de biocombustíveis é o "verdadeiro crime contra a humanidade".

No mesmo dia, Lula chamou de "palpiteiros" os que têm relacionado a alta dos preços dos alimentos com a produção de biocombustíveis. "É muito fácil alguém ficar sentado em um banco da Suíça e ficar dando palpite no Brasil e na África. É preciso vir aqui meter o pé no barro", disse o presidente.

Lula disse que a alta recente nos preços dos alimentos não tem uma única explicação. Entre as causas, o presidente relacionou o aumento no preço do petróleo, a quebra em safras de mundo todo, o aumento no valor dos fretes, as variações cambiais, a especulação financeira e o aumento no consumo em países como China, Índia e da África e América Latina.

O presidente cobrou a criação de políticas globais para a segurança alimentar e criticou o protecionismo e os subsídios agrícolas nos países ricos. Ele ressaltou que o sucesso da Rodada Doha depende da abertura do mercado agrícola europeu e da redução de subsídios na Europa. "O Brasil não precisa ganhar, mas a Europa e os Estados Unidos precisam ceder e os países pobres ganharem", concluiu.

Lula criticou ainda o FMI, a quem acusou de não ter dado "uma única opinião" sobre a crise americana e disse que os países desenvolvidos só reagem em situações de emergência.

 

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