Secretário-geral da Opep defende medidas contra especulação
da Efe, em Viena
O secretário-geral da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), o líbio Abdullah Salem el-Badri, advertiu nesta sexta-feira sobre a necessidade de medidas para reduzir a especulação financeira, o "principal fator" por trás da atual volatilidade e escalada dos preços do petróleo.
"Estamos presenciando um mercado cada vez mais instável, no qual há uma maior desconexão entre os preços do petróleo e os fundamentos do mercado", disse nesta sexta-feira Badri em entrevista à Agência Efe.
"Há uma série de fatores bem conhecidos determinando isto", disse o secretário-geral da organização, em referência à "especulação do mercado, ao enfraquecimento do dólar, às tensões geopolíticas e às limitações no sistema de refino dos Estados Unidos".
Mas, em sua opinião, "o maior fator é, sem dúvida, o impacto que especuladores financeiros, como os 'hedge funds' e bancos de investimentos, estão sofrendo por sua crescente participação nos mercados de petróleo".
"Isto criou uma volatilidade intensificada e, em conseqüência, altos preços do petróleo que não refletem o mercado físico real. Esta turbulência demonstra que há uma necessidade de diretrizes", advertiu.
As afirmações de Badri confirmam a reiterada postura da organização de não aumentar, no momento, sua oferta da commodity, apesar de um crescimento das provisões ser o que os consumidores esperam para diminuir a alta dos preços.
O secretariado da organização informou hoje em Viena que a cotação do barril de petróleo da Opep encadeou um quarto recorde consecutivo ao ser vendido, na quinta-feira, a uma média de US$ 107,63, com o que acumula uma alta de 12,4% desde o início do mês. Hoje, o barril do petróleo cru para entrega em maio, negociado na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), já chegou a ultrapassar os US$ 116.
Fórum
Os máximos responsáveis do setor das principais nações produtoras e consumidoras de hidrocarbonetos vão se reunir para "dialogar" no 11º Fórum Internacional da Energia, que será realizado entre segunda e terça-feira em Roma.
O diálogo entre produtores e consumidores é, segundo Badri, imprescindível para encontrar fórmulas que estabilizem os mercados: "não temos outra opção além de cooperar uns com os outros", disse.
Mais concretamente, os 13 países-membros da Opep desejariam contar com dados confiáveis sobre a demanda mundial de petróleo, e "os consumidores podem desempenhar um papel importante nos ajudando nisto", explicou.
"Um exemplo é o papel que as fontes alternativas de combustível desempenharão no cenário energético do futuro. Há muita incerteza sobre se essas novas fontes de energia, principalmente os biocombustíveis, terão a capacidade de satisfazer as crescentes necessidades energéticas do mundo", acrescentou.
Informações
"Se os consumidores pudessem encontrar vias para nos prover de mais clareza e também de previsões realistas sobre o papel que desempenharão fontes alternativas de energia na indústria no futuro, isso ajudaria os produtores a aperfeiçoar seus planos de investimentos".
Outras áreas de cooperação sobre as quais a Opep deseja discutir no fórum de Roma são a melhora da troca de dados para tornar mais transparente o mercado e a promoção de tecnologias limpas para a indústria petrolífera.
Além disso, Badri diz ser necessário abordar "em nível global" o problema da escassez de "recursos humanos" neste setor, onde a falta de trabalhadores impede que a indústria avance ao ritmo e eficácia que seria necessário.
Leia mais
- Celso Amorim pede que FMI combata subsídios agrícolas, e não bioenergia
- Petróleo bate novo recorde ao ultrapassar US$ 116 em NY
- Petróleo tem leve recuo mas ainda ronda os US$ 115
- Brasil é superpotência, agora com petróleo, diz "Economist"
- Ministro defende revisão na Lei do Petróleo
- Marco Aurélio Garcia diz que país caminha para novas descobertas de petróleo
Especial

