Presidente de Furnas defende retorno menor para quem investe em usinas
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O presidente de Furnas, Luiz Paulo Conde, disse nesta sexta-feira que o consórcio formado pela empresa e a construtora Odebrecht vai oferecer um preço baixo para a concorrência da usina de Jirau, a segundo do complexo no rio Madeira (RO).
Conde acrescentou que o retorno pretendido por empresas para as usinas hidrelétricas em torno de 16% é alto, apontando o exemplo da Espanha, onde, segundo ele, as empresas têm apenas 4% de retorno em cada unidade.
"Vamos apresentar preço baixo. Na minha cabeça, tem que baixar o preço da energia. Não é possível que uma hidrelétrica tenha um lucro de 16%. O ideal é esse lucro remunerar o custo e bancar investimentos', disse Conde durante assinatura de acordo com o Ministério das Cidades para obras de saneamento básico no entorno do lago da usina de Furnas e Minas.
O executivo informou que negocia com a Petrobras a construção de uma usina termelétrica na região de São Gonçalo, zona metropolitana do Rio. Conde explicou que Furnas tem uma área próxima à praia de Guaxindiba, na qual a estatal poderia construir um porto onde seria escoada parte da produção do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Em troca, Furnas construiria a usina e a ligaria a um gasoduto que passa pelo local.
Conde não adiantou a capacidade da usina e disse que isso depende do volume de gás que a Petrobras poderá disponibilizar.
Nuclear
O diretor de operações de Furnas, Fábio Rezende, admitiu que empresa deverá deixar de vender a energia produzida pelas usinas nucleares de Angra 1 e Angra 2. Segundo ele, Furnas vem amargando prejuízos de "centenas de milhões de reais desde que o novo modelo do setor elétrico foi implementado".
Ele explicou que a empresa foi obrigada a colocar energia nos leilões, e como os preços negociados ficaram baixos, a venda deixou de ser lucrativa. "Estamos estudando que essa energia não passe mais por Furnas. A eletronuclear comercializaria diretamente com as distribuidoras. Nossa perda é alta."
Segundo Rezende, a tarifa do MWh (megawatt hora) vendida pela Eletronuclear é de R$ 120, e Furnas vem repassando a mercado por R$ 170.
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