10/01/2002
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17h24
da Folha Online
O confisco dos depósitos bancários e os sucessivos adiamentos na flutação do peso livre já começam a desgastar o presidente Eduardo Duhalde junto à opinião pública. O presidente teve inclusive de aparecer publicamente para dizer que não vai renunciar apesar de prever uma onda de boatos sobre o assunto nos próximos dias.
Dois dos principais jornais argentinos - o "La Nación" e o "Âmbito Financiero" - publicaram editoriais hoje afirmando que Duhalde errou ao adotar o fim da conversibilidade como norte da política econômica, quando o óbvio e fácil era a opção pela dolarização.
Na terça-feira, esta proposta já havia sido apoiada em editorial pelo jornal norte-americano "Wall Street Journal", considerado a "bíblia" dos economistas.
A avaliação de todos os diários é simples: Duhalde, que não foi eleito pelo voto direto, dificilmente terá apoio para impor uma política econômica que prejudica no curto prazo governos das Provincias, empresas, bancos e população.
O editorial do "La Nación" aposta que o novo pacote econômico vai levar o país apenas a mais inflação, desemprego e recessão. E o próprio povo vai enxergar os erros do governo e voltar às ruas para pedir um novo presidente e a dolarização.
Já o "Âmbito Finaciero" diz que qualquer economista sabe que a dolarização seria a melhor das duas saídas para o país. "Menos Duhalde, que não é economista", afirma o diário, que também lembra que 82% das dívidas monetárias contavam com reservas líquidas do Banco Central, o que dificultaria um ataque especulativo de sucesso contra a dolarização.
No caso das desvalorização cambial, os jornais enumeram problemas. As Províncias e as empresas vão reclamar porque terão que arcar com o custo da explosão de suas dívidas em dólar. As duas classes sabem que terão vantagens com a desvalorização, principalmente se esta levar ao crescimento econômico. As vantagens, no entanto, só começarão a aparecer no médio prazo.
Já os bancos terão gigantescos prejuízos, já que grande parte das dívidas foram "pesificadas" na proporção de US$ 1 para 1 peso, enquanto que os depósitos tiveram correção de US$ 1 para 1,40 peso. Mesmo com as medidas atenuantes divulgadas hoje, a insatisfação do setor é tão grande que vários banqueiros estrangeiros ameaçaram nesta semana deixar o país.
A população, por sua vez, poderá voltar sua ira contra Duhalde devido ao confisco dos depósitos, explicitado hoje. Os manifestantes começaram ontem a voltar às ruas, inclusive da capital Buenos Aires. Hoje, o som das panelas foi ouvido mais alto em diversas cidades do país.
Ciente da situação, Duhalde acusou seus adversários da plantarem "comentários desestabilizadores" visando a sua renúncia.
Entre outras pessoas, a mensagem foi direcionada ao ex-presidente Carlos Menem, que ontem também defendeu a dolarização e disse que as medidas econômicas de Duhalde são "péssimas" e vão causar "grave dano" ao país.
Duhalde lembrou que o novo governo não herdou uma tarefa fácil de seus antecessores - a Argentina está há quase quatro anos em recessão e o clima de tensão social é latente no país. A tentativa do novo presidente foi jogar a culpa em Fernando de la Rúa e no próprio Menem.
A verdade, no entanto, é que não bastam palavras. Sem uma base de apoio interno sólida, dificilmente Duhalde conseguirá apoio externo para arrancar um empréstimo de até US$ 20 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional. E, sozinha, dificilmente a agonizante economia argentina terá forças para reagir.
Leia mais no especial sobre Argentina
Análise: Confisco eleva apoio à dolarização e faz Duhalde negar renúncia
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JOÃO SANDRINIda Folha Online
O confisco dos depósitos bancários e os sucessivos adiamentos na flutação do peso livre já começam a desgastar o presidente Eduardo Duhalde junto à opinião pública. O presidente teve inclusive de aparecer publicamente para dizer que não vai renunciar apesar de prever uma onda de boatos sobre o assunto nos próximos dias.
Dois dos principais jornais argentinos - o "La Nación" e o "Âmbito Financiero" - publicaram editoriais hoje afirmando que Duhalde errou ao adotar o fim da conversibilidade como norte da política econômica, quando o óbvio e fácil era a opção pela dolarização.
Na terça-feira, esta proposta já havia sido apoiada em editorial pelo jornal norte-americano "Wall Street Journal", considerado a "bíblia" dos economistas.
A avaliação de todos os diários é simples: Duhalde, que não foi eleito pelo voto direto, dificilmente terá apoio para impor uma política econômica que prejudica no curto prazo governos das Provincias, empresas, bancos e população.
O editorial do "La Nación" aposta que o novo pacote econômico vai levar o país apenas a mais inflação, desemprego e recessão. E o próprio povo vai enxergar os erros do governo e voltar às ruas para pedir um novo presidente e a dolarização.
Já o "Âmbito Finaciero" diz que qualquer economista sabe que a dolarização seria a melhor das duas saídas para o país. "Menos Duhalde, que não é economista", afirma o diário, que também lembra que 82% das dívidas monetárias contavam com reservas líquidas do Banco Central, o que dificultaria um ataque especulativo de sucesso contra a dolarização.
No caso das desvalorização cambial, os jornais enumeram problemas. As Províncias e as empresas vão reclamar porque terão que arcar com o custo da explosão de suas dívidas em dólar. As duas classes sabem que terão vantagens com a desvalorização, principalmente se esta levar ao crescimento econômico. As vantagens, no entanto, só começarão a aparecer no médio prazo.
Já os bancos terão gigantescos prejuízos, já que grande parte das dívidas foram "pesificadas" na proporção de US$ 1 para 1 peso, enquanto que os depósitos tiveram correção de US$ 1 para 1,40 peso. Mesmo com as medidas atenuantes divulgadas hoje, a insatisfação do setor é tão grande que vários banqueiros estrangeiros ameaçaram nesta semana deixar o país.
A população, por sua vez, poderá voltar sua ira contra Duhalde devido ao confisco dos depósitos, explicitado hoje. Os manifestantes começaram ontem a voltar às ruas, inclusive da capital Buenos Aires. Hoje, o som das panelas foi ouvido mais alto em diversas cidades do país.
Ciente da situação, Duhalde acusou seus adversários da plantarem "comentários desestabilizadores" visando a sua renúncia.
Entre outras pessoas, a mensagem foi direcionada ao ex-presidente Carlos Menem, que ontem também defendeu a dolarização e disse que as medidas econômicas de Duhalde são "péssimas" e vão causar "grave dano" ao país.
Duhalde lembrou que o novo governo não herdou uma tarefa fácil de seus antecessores - a Argentina está há quase quatro anos em recessão e o clima de tensão social é latente no país. A tentativa do novo presidente foi jogar a culpa em Fernando de la Rúa e no próprio Menem.
A verdade, no entanto, é que não bastam palavras. Sem uma base de apoio interno sólida, dificilmente Duhalde conseguirá apoio externo para arrancar um empréstimo de até US$ 20 bilhões junto ao Fundo Monetário Internacional. E, sozinha, dificilmente a agonizante economia argentina terá forças para reagir.
Leia mais no especial sobre Argentina

