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Dinheiro
21/04/2008 - 15h35

Para FMI, Rodada Doha ajudará na luta contra a alta dos alimentos

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da France Presse, em Londres
com Folha Online

O diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que a conclusão da Rodada Doha, que discute as negociações no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio), permitirá lutar contra o encarecimento dos produtos agrícolas.

"Não se pode esquecer que, para alimentar sua população os Estados dependem da liberdade de comercializar. Mas já estamos vendo que algumas decisões tomadas em nível nacional, como a de limitar a exportação de produtos alimentícios, tem efeitos devastadores em nível mundial", escreve o diretor do FMI em um artigo publicado nesta segunda-feira no "Financial Times" (FT).

"Levar a Doha a um bom termo representaria uma ajuda de capital já que reduziria as barreiras alfandegárias e as distorsões de competição e favoreceria o comércio agrícola", acrescenta Strauss-Kahn.

Um dos entraves das negociações de Doha, que são realizadas junto à OMC, diz respeito justamente à liberalização dos intercâmbios agrícolas. Os países pobres querem que os ricos eliminem os subsídios a seus produtores, e os ricos querem que os pobres derrubem as tarifas de produtos industrializados.

Strauss-Kahn recorda que os "preços do arroz no mercado mundial aumentaram mais de 50% desde o início do ano e que os preços do resto dos produtos alimentícios estão em clara alta".

Para fazer frente a este desafio, o diretor do FMI defende a necessidade de um acordo concertado em escala mundial. "Temos a responsabilidade moral de colocar comida na mesa dos pobres", destaca o francês.

"O FMI está disposto a proporcionar rapidamente um apoio financeiro aos países afetados pela crise comercial alimentar a fim de fazer frente a suas necessidades de financiamento. E estamos dispostos a revisar nossas condições de crédito para adaptá-las a este dipo de questão", assegura.

O FMI é criticado pelas rígidas condições que impõe aos países aos quais empresta dinheiro.

A crise dos preços dos alimentos tem sido motivo de preocupações das principais entidades financeiras e líderes mundiais nas últimas semanas.

Nesta segunda, por exemplo, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, elogiou a vontade do primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, de fazer figurar a crise dos alimentos na ordem do dia da próxima cúpula do G8, em julho.

"Acolho com satisfação a intenção do primeiro-ministro Fukuda de colocar firmemente a crise alimentar na ordem do dia da cúpula", declarou Zoellick, citado em um comunicado.

O Japão preside neste ano o G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia), cujos chefes de Estado e de Governo devem se reunir em julho na ilha de Hokkaido.

Para contra-atacar a disparada dos preços dos produtos agrícolas, que ameaça a estabilidade dos países pobres, o Banco Mundial convocou um esforço concertado e em escala internacional em sua assembléia de 12 e 13 de abril em Washington.

A duplicação dos preços dos alimentos nos últimos três anos ameaça com submergir mais profundamente na pobreza quase 100 milhões de africanos de baixos rendimentos, afirma o Banco Mundial, que propôs a implementação de uma política tão ambiciosa como o "New Deal" do presidente Franklin Delano Roosevelte depois da crise de 1929.

Em meio às crises financeira e alimentar que assolam a economia mundial, União Européia e Brasil, dois dos principais atores da OMC, se referiram pela primeira vez mesta semana de forma concreta de um possível acordo sobre a Rodada Doha, no mês de maio.

"As grandes linhas de um acordo estão sobre a mesa. Teremos um novo texto negociado nos âmbitos agrícola e industrial até o final de abril", declarou na segunda-feira em Paris o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, chefe negociador da UE (União Européia).

A Rodada Doha, iniciada em 2001, deveria ter sido concluída antes do final de 2004, mas as divergências entre os países mais desenvolvidos e as nações do sul do planeta relacionadas aos temas agricultura, bens industriais e serviços impediram um acordo.

Se até pouco tempo atrás essas divergências continuavam minando as discussões, nos últimos dias foram registrados avanços, e o Brasil também afirmou que um acordo básico poderia ser aprovado em uma reunião ministerial em Genebra no mês de maio.

Existe um "documento básico, que ainda contém frases entre parênteses (e por isso, passíveis de modificações), que poderá ser apoiado em um encontro ministerial, possivelmente no dia 19 de maio", disse na terça-feira Carlos Márcio Bicalho, chefe do Departamento Econômico da chancelaria brasileira.

Segundo Bicalho, os entendimentos estariam mais avançados no âmbito da agricultura, tema fundamental para países como Brasil, já que "o setor industrial é mais complexo pelas flexibilidades que serão necessárias".

 

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