PIB vai crescer menos após alta dos juros, aponta relatório Focus
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O aumento da taxa básica de juros na semana passada levou os analistas do mercado financeiro a reverem para baixo a previsão de crescimento da economia brasileira. Já as expectativas para a inflação em 2008 aumentaram, segundo a pesquisa semanal do Banco Central realizada com economistas e conhecida como relatório Focus.
A previsão para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2008 caiu de 4,7% para 4,6%. Para 2009, foi mantida a previsão de 4%. Ambas estão abaixo da projeção oficial do governo, de 5% para os dois anos.
Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC decidiu elevar a taxa básica de juros de 11,25% para 11,75% ao ano. O mercado esperava uma alta menor, de 0,25 ponto percentual.
No comunicado, o BC citou como justificativa para o aumento dos juros a "perspectiva para a inflação", entre outros fatores.
Apesar da alta maior dos juros, os economistas mantiveram a expectativa de que a taxa Selic vá terminar o ano em 12,75%. Para o final de 2009, foi mantida a previsão de que a taxa volte para 11,25%.
As expectativas de inflação neste ano subiram, na contramão da ação do BC, que visava reduzir as previsões para o aumento dos preços. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), por exemplo, deve fechar o ano a 4,71%, acima dos 4,66% esperados até a semana passada. Se confirmado, o indicador ficaria acima do centro da meta de inflação para esse ano, que é de 4,5%.
Os demais indicadores pesquisados pela instituição também tiveram as projeções elevadas pelo mercado. O IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna) subiu de 5,81% para 6%; o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) teve a previsão aumentada de 6,02% para 6,21%; e o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômica) ficaria em 4,08%, ante 4,03% da semana anterior.
A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 3 e 4 de junho.
Dólar
A estimativa para o dólar foi mantida em R$ 1,75 no final deste ano. Para dezembro de 2009, a previsão caiu de R$ 1,85 para R$ 1,82.
O saldo da balança comercial em 2008 foi revisto para baixo pela 5ª semana consecutiva, de US$ 25,30 bilhões para US$ 25 bilhões. Para 2009, caiu de US$ 19,50 bilhões para US$ 19,36 bilhões.
Foi mantida a previsão de investimentos estrangeiros diretos, de US$ 30 bilhões (2008) e US$ 27 bilhões (2009).
Houve queda na previsão para a relação dívida/PIB pela terceira semana, de 41,5% para 41,45% para este ano. Também caiu a previsão para o saldo em conta corrente, de um déficit de US$ 16 bilhões para um resultado negativo de US$ 16,5 bilhões.
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Evidentemente para quem aplica recursos porque para quem toma não interessa absolutamente essa política.
Quem aplica é a comunidade internacional, então, me parece lógico que ouviremos elogios da imprensa internacional como um estímulo no sentido das taxas crescentes. Ainda, quando as taxas sobem o real é valorizado o que facilita a entrada de produtos importados (eles ficam mais baratos) Também, quando a nossa moeda é valorizada, as multinacionais turbinam seus lucros, na moeda do país de origem, com a variação cambial.
Claro que o aumento da taxa de juros é um mecanismo para controle da inflação. Baseia-se na inibição do investimento na produção e consumo, quando se estimula a poupança. Funciona, sem dúvida, e é uma ferramenta da chamada "política ortodoxa" de combate a inflação. Porém, há limitações. A primeira limitação, e que agrega um bom número de analistas é que o nosso nível de taxas praticadas de dois dígitos(a maior do mundo) está fora do "range" em que alguma variação teria eficácia.
Segundo, a inflação que hoje assistimos não tem raízes internas, então seria o cúmulo da pretensão querer parar a inflação mundial com essa politica-de-fundo-de-quintal, mesmo que ousada e brava, o fim seria o mesmo dos kamikazes. Terceiro, a alta dos juros não é uma ferramenta conveniente pelos motivos em que comecei essa exposição.
Os homens do poder sempre foram sensíveis às bajulações e por elas fazem todo o tipo de "tonterias", mesmo que bem intencionados, se esquecem dos fundamentos e economizam nas justificativas como forma de monopólio do saber e para o sustento da soberba, mas acabam entregando o ouro. O nosso ouro.
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Discordo. Não dá para comparar laranja com banana. Os países adiantados não têm esses desvios que você mesmo apontou e que causam ineficiência na economia. E não os têm porque as leis não são cheias de brechas, o judiciário faz seu trabalho direito, a estrutura política dos governos não permite abusos e as políticas fiscal e tributária não oneram tanto a produção. Por isso eles podem ter taxas mais baixas.
É obrigação do Lula e do Congresso criar essa infra-estrutura. E ele não tem cumprido com essa obrigação. Ele fez sim avanços na área social, mas nenhum na parte econômica.
Taxa de juros do Banco Central não deve ser tratada como causa, mas como consequência.
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