Dinheiro
22/04/2008 - 15h29

Lugo diz buscar "preço de mercado" por energia de Itaipu

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da Efe, em Assunção

O presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, disse nesta terça-feira que governará com um gabinete de consenso, que delineará uma "política externa diferenciada" e buscará a "integração latino-americana". Ele reafirmou ainda que o preço da energia que o Paraguai dá ao Brasil tem que ser "justo".

"Achamos que o preço da energia que o Paraguai dá à Argentina e ao Brasil tem que ser um preço justo. O preço justo é o preço de mercado, e não o preço de custo", disse Lugo, em referência aos excedentes de energia que cede aos países vizinhos.

Em entrevista coletiva com jornalistas da imprensa estrangeira, o ex-bispo reafirmou que seu gabinete sairá da diversidade da aliança eleitoral que o levou ao poder, e "será o resultado do diálogo sereno e de decisões que podem beneficiar todo o país".

Sobre a exigência de uma revisão do lucro que seu país recebe pelas hidrelétricas de Itaipu e de Yacyretá, que compartilha com Brasil e Argentina, respectivamente, o futuro chefe de Estado paraguaio disse que "tem que haver vontade das partes".

Afirmou que "ninguém pode negar relações justas e eqüitativas no marco da racionalidade".

"Continuaremos mantendo boas relações com a Argentina e o Brasil, a disposição de continuar conversando sobre todos estes temas", disse Lugo, ao precisar que as negociações com a presidente argentina, Cristina Kirchner, poderiam começar "na primeira semana da posse".

Contradições

Ontem (21), em Gana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o tratado "não muda", mas foi contrariado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O chanceler afirmou que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. Segundo Amorim, a medida já foi tomada no passado, apesar de o documento prever que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.

Lugo, à frente da APC (Aliança Patriótica para a Mudança), encerrou, nas eleições gerais de domingo (20), com uma hegemonia de 61 anos do Partido Colorado.

O futuro governante deverá tomar posse em 15 de agosto, enquanto os membros do Congresso assumirão em 1º de julho. O pleito também serviu para eleger governos departamentais, senadores, deputados e titulares do Parlamento do Mercosul, estes pela primeira vez.

Política externa

Em relação à política internacional, Lugo disse que vão "delinear uma política externa diferenciada", para a qual apostarão no "fortalecimento da região no Mercosul", formado também por Brasil, Argentina e Uruguai.

"O Paraguai deve ser conhecido não somente por seus aspectos negativos como corrupção, ilegalidade, contrabando e tráfico de drogas, mas pela grandeza de seus valores", ressaltou o ex-bispo da diocese de San Pedro (centro), a região mais pobre do país.

Acrescentou que, em seus planos, também está "o sonho da integração latino-americana", e destacou que seu país buscará "ter relações com todos os países abertos ao mundo e sem pressão".

Comentários dos leitores
Rolando Frati (83) 07/11/2009 14h18
Rolando Frati (83) 07/11/2009 14h18
O Novo tratado no Acordo de Itaipu deve ser Auditado, para verificar se não houve perda ao País, pois os ocasionadores de eventuais perdas deveriam pagar de seus próprios Bolsos, pois foram eleitos para defender o Direito e Patrimonio do Povo Brasileiro. sem opinião
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Maurilio Gabriotti (42) 06/11/2009 08h15
Maurilio Gabriotti (42) 06/11/2009 08h15
Parece que o presidente Lula sempre dá um jeito de arrumar dinheiro para os nossos ilustres vizinhos. Só não consegue dinheiro para os aposentados. Acontece que os nossos vizinhos não votam, sr. Lula. Então, até as próximas eleições... sem opinião
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Anonimo Anonimo (4) 06/11/2009 00h46
Anonimo Anonimo (4) 06/11/2009 00h46
Até parece que o Brasil passou a perna no Paraguai durante todo este tempo e o Lula veio corrigir a injustiça. Só esqueceram de mencionar que o preço pago ao Paraguai é o mesmissimo que é pago para geradoras dentro do país. Se a moda pega e os geradores internos decidam cobrar o mesmo aumento, a energia elétrica em nossas casas também deve triplicar. sem opinião
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