Lugo diz buscar "preço de mercado" por energia de Itaipu
da Efe, em Assunção
O presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, disse nesta terça-feira que governará com um gabinete de consenso, que delineará uma "política externa diferenciada" e buscará a "integração latino-americana". Ele reafirmou ainda que o preço da energia que o Paraguai dá ao Brasil tem que ser "justo".
"Achamos que o preço da energia que o Paraguai dá à Argentina e ao Brasil tem que ser um preço justo. O preço justo é o preço de mercado, e não o preço de custo", disse Lugo, em referência aos excedentes de energia que cede aos países vizinhos.
Em entrevista coletiva com jornalistas da imprensa estrangeira, o ex-bispo reafirmou que seu gabinete sairá da diversidade da aliança eleitoral que o levou ao poder, e "será o resultado do diálogo sereno e de decisões que podem beneficiar todo o país".
Sobre a exigência de uma revisão do lucro que seu país recebe pelas hidrelétricas de Itaipu e de Yacyretá, que compartilha com Brasil e Argentina, respectivamente, o futuro chefe de Estado paraguaio disse que "tem que haver vontade das partes".
Afirmou que "ninguém pode negar relações justas e eqüitativas no marco da racionalidade".
"Continuaremos mantendo boas relações com a Argentina e o Brasil, a disposição de continuar conversando sobre todos estes temas", disse Lugo, ao precisar que as negociações com a presidente argentina, Cristina Kirchner, poderiam começar "na primeira semana da posse".
Contradições
Ontem (21), em Gana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o tratado "não muda", mas foi contrariado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O chanceler afirmou que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. Segundo Amorim, a medida já foi tomada no passado, apesar de o documento prever que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.
Lugo, à frente da APC (Aliança Patriótica para a Mudança), encerrou, nas eleições gerais de domingo (20), com uma hegemonia de 61 anos do Partido Colorado.
O futuro governante deverá tomar posse em 15 de agosto, enquanto os membros do Congresso assumirão em 1º de julho. O pleito também serviu para eleger governos departamentais, senadores, deputados e titulares do Parlamento do Mercosul, estes pela primeira vez.
Política externa
Em relação à política internacional, Lugo disse que vão "delinear uma política externa diferenciada", para a qual apostarão no "fortalecimento da região no Mercosul", formado também por Brasil, Argentina e Uruguai.
"O Paraguai deve ser conhecido não somente por seus aspectos negativos como corrupção, ilegalidade, contrabando e tráfico de drogas, mas pela grandeza de seus valores", ressaltou o ex-bispo da diocese de San Pedro (centro), a região mais pobre do país.
Acrescentou que, em seus planos, também está "o sonho da integração latino-americana", e destacou que seu país buscará "ter relações com todos os países abertos ao mundo e sem pressão".
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