Itamaraty diz que Brasil admite negociar preço, mas não alterar tratado de Itaipu
LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília
O Itamaraty rebateu nesta terça-feira as afirmações de que o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham dado declarações contraditórias em relação à renegociação de preços da usina de Itaipu.
De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, Amorim, assim como Lula, disse que o tratado não será renegociado. O ministro acrescentou, porém, que o Brasil está aberto a negociações para que o Paraguai obtenha o "máximo de benefícios" --mas, segundo o Itamaraty, sem alterar o documento assinado em 1973.
Ontem, Amorim disse que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. Ele ressaltou que isso já foi feito no passado e que o tratado prevê que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.
"Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo", disse o ministro.
Já o presidente Lula disse que o tratado não será alterado. "Nós temos um tratado, e o tratado vai se manter", disse depois de participar de uma reunião na Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).
O tratado com Itaipu foi assinado em 1973 e prevê que a energia gerada pela usina será dividida igualmente entre os dois sócios. Como o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia --que atende 95% da demanda do país--, o restante é vendido ao Brasil a preço de custo --representa 20% da energia elétrica do Brasil.
Assim, o Brasil paga atualmente US$ 45,31 por megawatt ao Paraguai, dos quais porém US$ 42,5 são abatidos da dívida que o Paraguai tem pela construção da usina, restando US$ 2,81 para uso do país vizinho.
Lugo
O presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, voltou a dizer nesta terça-feira que o preço da energia que o Paraguai dá ao Brasil tem que ser "justo". "Achamos que o preço da energia que o Paraguai dá à Argentina e ao Brasil tem que ser um preço justo. O preço justo é o preço de mercado, e não o preço de custo", disse Lugo.
Durante a campanha, ele já havia dito que os US$ 300 milhões pagos pelo Brasil ao país anualmente são "irrisórios" e defendeu um 'preço de mercado', entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.
Leia Mais
- Lugo diz buscar "preço de mercado" por energia de Itaipu
- Para diretor, Itaipu é "solução" para o Paraguai
- Lula diz que não renegocia tratado de Itaipu, mas Amorim admite revisão
- Lugo diz que criará equipe para discutir preço de energia de Itaipu
- Paraguaios tomam as ruas de Assunção para comemorar vitória de Lugo
Livraria
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar