Dinheiro
22/04/2008 - 16h08

Itamaraty diz que Brasil admite negociar preço, mas não alterar tratado de Itaipu

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LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O Itamaraty rebateu nesta terça-feira as afirmações de que o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenham dado declarações contraditórias em relação à renegociação de preços da usina de Itaipu.

De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, Amorim, assim como Lula, disse que o tratado não será renegociado. O ministro acrescentou, porém, que o Brasil está aberto a negociações para que o Paraguai obtenha o "máximo de benefícios" --mas, segundo o Itamaraty, sem alterar o documento assinado em 1973.

Ontem, Amorim disse que o Brasil pode reajustar o valor pago ao Paraguai pela energia excedente da hidrelétrica de Itaipu. Ele ressaltou que isso já foi feito no passado e que o tratado prevê que o excedente de um dos sócios seja vendido ao outro pelo preço de custo.

"Vamos continuar discutindo com o Paraguai normalmente como ele pode obter uma remuneração adequada para sua energia. Isso é justo", disse o ministro.

Já o presidente Lula disse que o tratado não será alterado. "Nós temos um tratado, e o tratado vai se manter", disse depois de participar de uma reunião na Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).

O tratado com Itaipu foi assinado em 1973 e prevê que a energia gerada pela usina será dividida igualmente entre os dois sócios. Como o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% dessa energia --que atende 95% da demanda do país--, o restante é vendido ao Brasil a preço de custo --representa 20% da energia elétrica do Brasil.

Assim, o Brasil paga atualmente US$ 45,31 por megawatt ao Paraguai, dos quais porém US$ 42,5 são abatidos da dívida que o Paraguai tem pela construção da usina, restando US$ 2,81 para uso do país vizinho.

Lugo

O presidente paraguaio eleito, Fernando Lugo, voltou a dizer nesta terça-feira que o preço da energia que o Paraguai dá ao Brasil tem que ser "justo". "Achamos que o preço da energia que o Paraguai dá à Argentina e ao Brasil tem que ser um preço justo. O preço justo é o preço de mercado, e não o preço de custo", disse Lugo.

Durante a campanha, ele já havia dito que os US$ 300 milhões pagos pelo Brasil ao país anualmente são "irrisórios" e defendeu um 'preço de mercado', entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões.

Comentários dos leitores
Rolando Frati (83) 07/11/2009 14h18
Rolando Frati (83) 07/11/2009 14h18
O Novo tratado no Acordo de Itaipu deve ser Auditado, para verificar se não houve perda ao País, pois os ocasionadores de eventuais perdas deveriam pagar de seus próprios Bolsos, pois foram eleitos para defender o Direito e Patrimonio do Povo Brasileiro. sem opinião
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Maurilio Gabriotti (42) 06/11/2009 08h15
Maurilio Gabriotti (42) 06/11/2009 08h15
Parece que o presidente Lula sempre dá um jeito de arrumar dinheiro para os nossos ilustres vizinhos. Só não consegue dinheiro para os aposentados. Acontece que os nossos vizinhos não votam, sr. Lula. Então, até as próximas eleições... sem opinião
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Anonimo Anonimo (4) 06/11/2009 00h46
Anonimo Anonimo (4) 06/11/2009 00h46
Até parece que o Brasil passou a perna no Paraguai durante todo este tempo e o Lula veio corrigir a injustiça. Só esqueceram de mencionar que o preço pago ao Paraguai é o mesmissimo que é pago para geradoras dentro do país. Se a moda pega e os geradores internos decidam cobrar o mesmo aumento, a energia elétrica em nossas casas também deve triplicar. sem opinião
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