Indústria de brinquedos vai deixar SP por incentivos do Nordeste
KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
A indústria de brinquedos planeja deixar São Paulo e abrir um pólo fabricante do setor no Nordeste. O estudo considera os Estados de Pernambuco, Ceará e Bahia, onde há incentivo fiscal. A previsão foi feita nesta terça-feira pelo presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos), Synesio Batista da Costa, na abertura da Abrin (Feira Nacional de Brinquedos), em São Paulo.
De acordo com ele, a escolha do local onde haverá a concentração vai "depender do custo de produto estimado em cada Estado".
Segundo Costa, cerca de 80% das empresas do setor estão em São Paulo, gerando cerca de 23 mil empregos. A migração, prevista para ocorrer entre três e cinco anos, deve arrastar ao menos 80% dessas empresas, e fechar cerca de 18,5 mil vagas no Estado.
"Quem não migrar vai morrer pelo caminho. O custo de produção pode ter queda entre 8% e 10% com a mudança para o Nordeste, isso nos torna mais competitivos", afirmou.
O objetivo é ganhar força para brigar com os chineses, que respondem por cerca de 70% dos brinquedos fabricados no mundo e já têm 40% do mercado brasileiro.
De acordo com Costa, a decisão não terá influência política. Para ele, quando as 30 maiores iniciarem o movimento, as menores vão acompanhá-lo. "Como está não dá mais, a decisão é técnica e não política", afirmou.
Costa afirmou que a indústria movimenta US$ 68,3 bilhões por ano no mundo, sendo que no último balanço apresentou queda de 5%, impactado pelos recalls. O negócio no Brasil, segundo ele, representará em 2008 algo em torno de R$ 2,5 bilhões.
Em 2007, a indústria brasileira fechou com faturamento de R$ 2,234 bilhões, um aumento de apenas 2% sobre 2006. Para Costa, o desempenho foi influenciado pelos recalls, que amedrontaram o consumidor e tiraram ao menos R$ 300 milhões da conta das empresas.
O diretor da Estrela, Aires Fernandes, afirmou que a empresa vai analisar a idéia de um pólo no Nordeste e "aguardar o movimento do setor'. A companhia recentemente dividiu sua produção entre Itapira (a 176 km da capital) e Três Pontas (sul de Minas Gerais).
Já o diretor comercial da Gulliver, Paulo Benzatti, afirmou que a idéia de concentrar a indústria em um pólo fora de São Paulo é boa, mas que a decisão de mudar-se ou não dependerá de negociações e de vantagens e incentivos.
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