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Dinheiro
22/04/2008 - 16h53

Ministro diz que governo não vai rever proposta aos auditores fiscais

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da Agência Brasil
com Folha Online

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta terça-feira que o governo não tem como melhorar a proposta apresentada aos auditores fiscais, que estão em greve desde o dia 18 de março. O governo ofereceu reajuste de 43,9% para servidores com salário teto e de 41,7% para os auditores com salário inicial. O aumento seria aplicado até 2010, sempre no mês de julho.

"Nós temos uma posição que foi apresentada a eles, que até o momento eles não aceitaram, mas que de fato não temos como evoluir. Não temos como avançar. Porque nós não estamos negociando só com os auditores, nós estamos negociando com várias outras categorias que têm como referência o salário deles", afirmou o ministro, depois de participar, em São Paulo, da abertura do 3º Congresso Brasileiro de Pesquisa, realizado pela Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).

Bernardo disse que a expectativa é de que a greve chegue ao fim ainda neste semana, uma vez que o Judiciário está analisando a possibilidade de cortar o ponto dos grevistas. "A nossa expectativa é que, depois da decisão do judiciário determinando o corte dos pontos e, restando que nós não temos como avançar mais do ponto de vista econômico, que nós tenhamos um acordo nesta semana", disse.

Indagado se achava justo o pleito dos auditores, o ministro respondeu que não iria fazer juízo de valor e que todas as categorias consideram justas suas reivindicações. "Eu tenho que fazer uma proposta que seja sustentável do ponto de vista do orçamento e, comparativamente, o que nós estamos oferecendo aos auditores é muito acima do que a qualquer outra categoria neste momento", argumentou.

O ministro lembrou que o atraso na aprovação do orçamento trouxe dificuldades para o governo, em particular, na execução de investimentos. "Vamos fazer um esforço, agora, para tirar essa diferença", concluiu.

Em assembléia nacional, realizada na última sexta-feira, os auditores fiscais decidiram manter a greve e rejeitar a proposta do governo. A categoria aprovou também a realização de ato público em Brasília, na próxima quinta-feira, às 10h, em frente ao Ministério do Planejamento. No mesmo dia, a partir das 14h30, os auditores vão visitar o Congresso Nacional.

Os auditores querem aumento do teto salarial de R$ 13,4 mil para R$ 19 mil (equiparação com os delegados da Polícia Federal), que representa o mais alto salário do Executivo. Atualmente, são 12 mil auditores fiscais ativos, dos quais 30% continuam trabalhando, segundo determina a lei.

Prejuízos

Com a greve, uma série de setores da indústria já anunciou prejuízos milionários, seja pela falta de insumo para produzir, seja por mercadoria paradas em portos, sem liberação.

O presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato, entregou ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, carta em que notifica prejuízos entre US$ 120 milhões e US$ 150 milhões, considerando a redução da produção, a perda de faturamento e as multas por atrasos no cumprimento de contratos.

Barbato afirmou a Miguel Jorge que o valor das importações dos insumos retidos nas alfândegas corresponde a cerca de US$ 400 milhões nos primeiros 30 dias de paralisação.

O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, disse, por sua vez, que a greve já coloca em risco linhas de produção no Brasil e no exterior, que dependem de peças brasileiras.

De acordo com o vice-presidente do Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), Antônio Meduna, a situação da indústria de componentes está "no limite".

A greve causa filas de contêineres parados nos portos de Santos, Uruguaiana, São Borja e São Francisco do Sul.

Em Manaus, já chega a R$ 1 bilhão o prejuízo acumulado pelas empresas do Pólo Industrial. A greve nacional também é responsável pela paralisação parcial de 18 fábricas do pólo e pela licença remunerada ou falta de trabalho no pátio das fábricas de sete mil trabalhadores.

 

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