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Dinheiro
22/04/2008 - 17h59

Recall gera perda de R$ 300 mi no Brasil e de US$ 5 bi no mundo, diz Abrinq

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KAREN CAMACHO
Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online

Os recalls de brinquedos, tanto da Mattel como da Gulliver, no Brasil, provocaram uma perda de receita para o setor de R$ 300 milhões no Brasil e de US$ 5 bilhões no mundo, afirmou nesta terça-feira a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos).

Pela estimativa do presidente da associação, Synesio Batista da Costa, o faturamento do setor no Brasil podia ter crescido mais do que os 2% entre 2006 e 2007. A diferença de cerca de R$ 300 milhões, segundo ele, é resultado do impacto dos recalls, que "amedrontaram os consumidores". Em 2007, a indústria brasileira fechou com faturamento de R$ 2,234 bilhões.

"Recall de automóvel pode até ser chique, você vai até a concessionária, toma um café. Mas no nosso setor, só o fato de você tirar o brinquedo da criança já causa um dano. Todo projeto tem de ser testado antes de ser colocado no mercado", criticou.

No mundo, o faturamento do setor registrou queda de 5%, também atribuída ao medo do consumidor com os recalls. Com o resultado das empresas em US$ 68,3 bilhões, a perda estimada é de US$ 5 bilhões.

Costa criticou bastante o modelo chinês de fabricação de brinquedos e disse que a concorrência é desleal. Os recalls, para ele, só vieram prejudicar ainda mais a imagem do setor. Segundo ele, a Mattel, primeira a anunciar um recall mundial, é uma das responsáveis pelos prejuízos à imagem e será processada pela Abrinq.

Mattel

Desde agosto, a Mattel fez retiradas do mercado de mais de 21 milhões de brinquedos chineses, a pedido da CPSC (sigla em inglês para a comissão americana de segurança dos consumidores), essencialmente por defeitos de fabricação, mas também devido à quantidade em excesso de chumbo nas tintas usadas no acabamento dos produtos.

No primeiro, em 14 de agosto, a Mattel anunciou um recall de 18,6 milhões de brinquedos com ímãs no mundo, incluindo cerca de 850 mil unidades comercializadas no Brasil.

Em outro procedimento, em 5 de setembro, a empresa anunciou que recolheria mais 844 mil brinquedos fabricados na China pelo excesso de chumbo.

Em 25 de outubro, a CPSC anunciou a retirada do mercado de mais 346 mil produtos para crianças fabricados na China, entre os quais 38 mil Fisher Price, do grupo Mattel.

Gulliver

Em agosto do ano passado, a Gulliver --tradicional fabricante de São Caetano do Sul (ABC paulista)-- comunicou a retirada de produtos importados da linha Magnetix das lojas.

A Gulliver vendeu 35 mil itens da linha Magnetix no Brasil em 2006 --brinquedos com esferas metálicas e hastes plásticas com ímãs em suas extremidades que permitem que as crianças montem objetos.

Em março deste ano, a Gulliver anunciou recall de 6.209 unidades dos brinquedos de montar Magtastik e Magnetix Jr. devido à possibilidade de partes e peças dos brinquedos serem engolidas pelas crianças.

Long Jump

Em novembro de 2007, a distribuidora Long Jump iniciou a troca dos brinquedos Bindeez por qualquer outro produto de igual valor ou a devolução do dinheiro. Os brinquedos podem conter uma substância que, em contato com água, se transforma em GHB, droga conhecida como "ecstasy líquido".

Os brinquedos Bindeez, da fabricante australiana Moose Enterprise, são vendidos pela Long Jump no Brasil. Em comunicado, a distribuidora informou que, desde maio de 2007, 63.696 unidades da linha Bindeez --composta por quatro modelos de brinquedos-- foram comercializados no país.

 

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