Publicidade

Dinheiro
23/04/2008 - 20h04

Idec e Pro Teste pedem explicações sobre acidentes com sandália Crocs

Publicidade

da Folha Online

Duas entidades de defesa do consumidor no Brasil, a ProTeste e o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), querem explicações sobre as sandálias coloridas Crocs, febre ao redor do mundo. O pedido ocorre um dia depois de o governo do Japão pedir que empresa americana fabricante dos tamancos melhore o design do produto.

Pelo menos 65 acidentes foram registrados no Japão por causa da sandália --no geral, crianças que usavam o tamanco prenderem o pé em escadas rolantes. O alerta feito pelo governo japonês também vale para os fabricantes de modelos que imitam ou para empresas que têm produtos similares às sandálias Crocs.

"Apesar de não termos registrado qualquer acidente no Brasil, entendemos que os acidentes no Japão mostram que há perigo para o consumidor brasileiro. Por isso, pedimos ao DPDC [Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça] que entre em contato com a empresa para pedir um recall ou mais esclarecimentos sobre o uso adequado", explicou Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste.

Reprodução
Tamancos de plástico coloridos da marca Crocs viraram febre ao redor do mundo
Tamancos de plástico coloridos da marca Crocs viraram febre ao redor do mundo

Por meio de comunicado, a americana Crocs afirmou que suas sandálias são "completamente seguras" e que os acidentes e recomendações mencionados pelo ministério japonês se referem a vários tipos de calçados, não apenas à Crocs.

"Acreditamos que é positivo e que o foco das recomendações seja para melhorar a segurança nas escadas rolantes", diz o comunicado. A Crocs Brasil, com sede em Sorocaba (SP), não foi encontrada para comentar o assunto, mas segundo o Idec e a Pro Teste, prometeu se pronunciar amanhã.

A Crocs afirmou ainda, no comunicado, que tem trabalhado, nos EUA, com uma fundação que trata sobre seguranças em escadas rolantes para levar educação ao público. "Segurança em escadas rolantes é um tema muito sério. É preciso estar atento ao entrar e sair, especialmente. É também importante que os pais ajudam crianças pequenas nas escadas rolantes."

Nos Estados Unidos, segundo a agência Associated Press, o metrô de Washington colocou avisos sobre as sandálias em suas escadas rolantes.

Ainda nos EUA, uma garota de 3 anos usando um Crocs ficou com o pé preso em uma escada do aeroporto internacional de Atlanta e teve dois dedos parcialmente amputados, diz a agência. Já em Cingapura, uma criança de 2 anos perdeu um dedo do pé quando usava uma imitação do Crocs.

Nos hospitais da Inglaterra e da Holanda o uso de Crocs e semelhantes foi proibido porque, segundo as entidades, a resina usada em sua fabricação pode criar estática e alterar a medição em aparelhos como respiradores e usados em cirurgias.

Barcos

Nos Estados Unidos, onde o calçado foi lançado oficialmente, os criadores do modelo imaginavam, inicialmente, desenvolver um sapato para ser usado em barcos, por velejadores, devido ao seu solado antiderrapante (feito em resina) e que não marcava o deck.

"Se a sola é extremamente aderente, é preciso haver um alerta para crianças ou idosos, por exemplo. O que queremos é que a empresa explique, ao vender o produto, se existe alguma recomendação de uso ou alerta de segurança", afirma Maria Inês.

Em seu blog na Folha Online, ela relata que já recebeu mensagem de um leitor cuja filha que usava uma Croc ficou com o pé preso em uma escada rolante, mas não se feriu.

Apesar de serem criados para uso em barcos, os tamancos de plástico colorido logo viraram moda nos EUA e em 2003 já eram vendidos ao redor do mundo. Atores de Hollywood e celebridades, aliás, ajudaram a impulsionar a moda, se declarando fã do produto cheio de furinhos, preso na parte de trás do pé por uma alça, que deixa o calcanhar de fora.

No Brasil, a sandália começou a ser vendida na Vila Daslu, em São Paulo. Em julho de 2007, a empresa montou uma fábrica em Sorocaba. Por aqui, o modelo mais básico custa cerca de R$ 70.

Segundo a matriz, nos EUA, todos os meses são vendidos cerca de 4 milhões de pares de 30 modelos diferentes em 60 países. A Crocs encerrou o ano passado com um lucro estimado de US$ 700 milhões.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca