Banco Central quer reajustar gasolina logo
da Folha Online
Após a decisão do Banco Central de elevar os juros em 0,5 ponto percentual na semana passada, ficou aberto o caminho para uma rodada de reajuste do preço dos combustíveis no país, informam Sheila D'Amorim e Humberto Medina, em reportagem publicada na edição desta quinta-feira na Folha (integra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
O Copom (Comitê de Política Monetária) considerou em sua última reunião a possibilidade de alta na gasolina e, especialmente, no diesel. O comitê, oficialmente, projeta a manutenção dos preços neste ano, mas um dos cenários debatidos levou em conta a hipótese e pesou na decisão final. O último reajuste oficial da gasolina no país foi em 2005.
No mês passado, quando a cotação do barril do petróleo ainda estava por volta de US$ 110, o Banco Central avaliava que os preços da gasolina e do gás de cozinha (bujão) não sofrerão aumentos no decorrer do ano. Nesta terça-feira (22), no entanto, o barril chegou a atingir a marca recorde de US$ 119,90.
A ata da reunião do Copom no mês passado dizia que, "independentemente do comportamento dos preços domésticos da gasolina, deve-se reconhecer que a elevação consistente dos preços internacionais do petróleo se transmite à economia doméstica tanto por meio de cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto pela deterioração que termina produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos".
A gasolina representa quase 5% do IPCA, índice de inflação de referência para o governo. Indiretamente, ela afeta a cadeia produtiva, e a Petrobras vem aumentando preços de outros produtos como óleo combustível, nafta e querosene. Os índices de preço já captam essas elevações, que pressionam os custos das empresas.
Álcool
Segundo levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o preço do álcool nos postos teve queda de 0,60% na semana passada, na comparação com os sete dias imediatamente anteriores. O litro do combustível era encontrado, em média, por R$ 1,477, ante R$ 1,486 verificados entre os dias 6 e 12 de abril, na média de todo o Brasil. Foram pesquisados preços em mais de 8.200 postos.
A variação é a primeira significativa nas últimas quatro semanas. Ao longo desse tempo, o litro do álcool vinha oscilando entre R$ 1,484 e R$ 1,486. A tendência é que, daqui para frente, o preço do combustível continue caindo, uma vez que a produção já está sendo reiniciada nas usinas, com o início da safra.
A redução do preço do álcool foi acompanhada pela gasolina, que teve decréscimo médio de 0,16% no preço do litro, de acordo com a pesquisa da ANP. De 13 a 19 de abril, o litro da gasolina era encontrado, em média, por R$ 2,495. Na semana anterior, custava R$ 2,499, na média de 8.745 postos em todo o país.
Em São Paulo, o litro da gasolina caiu 0,20%, passando de R$ 2,383 para R$ 2,378, na semana passada, nos postos do Estado. Para o diesel e o GNV (gás natural veicular), o levantamento da ANP não aponta variações. O litro do óleo diesel custava, em média, R$ 1,878, na semana passada. Antes, entre 6 e 12 de abril, era encontrado por R$ 1,879.
O metro cúbico do GNV custava R$ 1,440 na semana passada, de acordo com a pesquisa feita em todo o Brasil. Na semana entre 6 e 12 de abril, era encontrado por R$ 1,439.
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