BC indica que voltará a aumentar juros para evitar alta da inflação
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O Banco Central diz que está pronto para voltar a aumentar a taxa básica de juros do país ainda neste ano para evitar uma alta generalizada da inflação. A informação faz parte da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).
A ata do Copom é divulgada na semana seguinte à reunião que decide os rumos da taxa básica de juros, a Selic. Na semana passada, o BC elevou os juros de 11,25% para 11,75% ao ano. Os analistas do mercado financeiro acreditam que a taxa terminará o ano em 12,75%.
"O Copom conduzirá suas ações (...), estando pronto a ajustar a postura de política monetária [leia-se, a taxa básica de juros] de forma a evitar a consolidação de um cenário no qual reajustes pontuais se transformem em reajustes persistentes ou generalizados de preço", diz o Copom.
A diretoria do BC avalia também que o aumento dos juros agora é importante por conta da demanda aquecida dos consumidores e do fato de que a alta da Selic terá impacto "concentrado no segundo semestre de 2008 e em 2009".
Experiência internacional
Na ata, o BC cita várias vezes expressões que mostram a alta recente de preços como "impactos inicialmente localizados", mas apontam para o risco de uma "deterioração persistente" da inflação, o que teria justificado o aumento dos juros.
"Respaldada pela experiência internacional, a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada", diz o BC.
O comitê diz que, em relação ao índice de preços que serve como referência para o sistema de metas de inflação, o IPCA, as projeções do BC estão acima do centro da meta de 4,5%.
Famílias
Em relação às avaliações de que a alta dos juros podem comprometer o crescimento da economia, o Copom diz que, "ao permanecer pronto para atuar", o comitê "entende que está, de fato, contribuindo para a sustentação do crescimento, o que requer estabilidade".
O BC também diz que, ao segurar a inflação, está ajudando a melhorar o planejamento das famílias e das empresas, além de "resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados".
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