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Dinheiro
24/04/2008 - 09h57

GM transfere investimento, e cidade critica sindicato

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FÁBIO AMATO
da Agência Folha, em São José Dos Campos

A decisão da General Motors de transferir para São Caetano do Sul (Grande SP) um investimento que resultou na criação de 1.500 novos empregos está provocando em São José dos Campos (91 km de SP) uma disputa que tem como ponto central a redução de salários e de direitos dos funcionários da fábrica que a montadora possui no Vale do Paraíba.

O embate começou há dois meses. A GM anunciou o plano de criar 600 empregos em São José para elevar a produção. Mas impôs como condição a substituição do regime de pagamento de horas extras por banco de horas, além de reduzir, para os novos funcionários, o piso (de R$ 1.300 para R$ 1.200) e o teto salarial (de R$ 2.500 para R$ 1.800).

A exigência não foi aceita pelo Sindicato dos Metalúrgicos nem pela maioria dos funcionários da GM na cidade.
A montadora, então, transferiu o investimento para São Caetano, onde acordo semelhante vigora há três anos. O sindicato do Vale do Paraíba é ligado à Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) e ao PSTU; o de São Caetano, à Força Sindical.

Combate de influência

Contrariados com o desfecho das negociações e com a perda dos novos empregos (que, de 600, passaram para 1.500), vereadores, prefeitura, entidades empresariais de São José dos Campos criaram um grupo que trabalho para combater a influência do Sindicato dos Metalúrgicos e garantir que a cidade não seja excluída de futuros investimentos da montadora.

"A cidade está fazendo pressão para que o Sindicato dos Metalúrgicos, que é de certa forma intransigente, reveja seu posicionamento e a planta local da GM receba novos investimentos. É necessário repensar esse papo de 'não à redução de direitos'", disse o vereador José Luís Nunes (DEM), um dos líderes do "grupo pró-GM".

Entre as medidas anunciadas pelo grupo, está o envio de cartas para os familiares de todos os 9.500 funcionários da GM de São José que apontarão para os riscos de a unidade acabar desativada caso o sindicato e os trabalhadores insistam em não abrir mão de direitos como o pagamento de horas extras em futuras negociações com a GM.

Metalúrgicos

Por sua vez, o Sindicato dos Metalúrgicos foi para o ataque e iniciou campanha que inclui de anúncios em outdoors e rádios ao envio de representantes para EUA, Venezuela e Equador, países onde a montadora mantém fábricas, para propor "globalização da luta contra as pressões e a ganância da GM".

"Queremos que os empregos venham para São José. O que não aceitamos é a redução dos salários e a criação de banco de horas. Isso é ganância [da GM], pois as montadoras vêm batendo recordes de produção e de venda", disse o diretor do sindicato, Vivaldo Moreira Araújo.

Ele afirmou que o "grupo pró-GM" é formado, na sua maioria, por entidades empresariais que têm interesse na redução de direitos dos trabalhadores da montadora, para que política semelhante passe a ser aplicada em outras empresas. Disse ainda que o sindicato de São Caetano "não representa os direitos dos trabalhadores, mas sim os do capital".

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano, Aparecido Inácio da Silva, disse que teve que aceitar a exigência feita pela GM para evitar demissões na fábrica local. "O capital não tem pátria nem coração", disse. A GM informou que não comentaria o assunto.

 

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